4022 notas destruídas nos incêndios de Pedrógão Grande foram recuperadas pelo Ba

4022 notas destruídas nos incêndios de Pedrógão Grande foram recuperadas pelo Ba

4022 notas destruídas nos incêndios de Pedrógão Grande foram recuperadas pelo Banco de Portugal

Em 2017 os enormes fogos na zona de Pedrógão Grande consumiram centenas de casas que arderam com tudo o que estava lá dentro, incluindo notas guardadas.

A recuperação de mais de 4.000 notas destruídas nos incêndios de Pedrógão Grande foi o trabalho que mais emocionou a equipa do Banco de Portugal, mas a maioria das notas valorizadas estiveram enterradas durante vários anos.

“O que chega mais são pessoas que enterram as notas com a esperança de que fiquem iguais quando precisarem delas, mas quando as vão desenterrar percebem que os bichinhos e a humidade fazem o seu trabalho”, conta à Lusa o coordenador do serviço de valorização de notas.

No complexo de alta segurança, onde estão guardadas as 173 toneladas de ouro numa casa-forte, há fabricação de notas (pela empresa Valora), se acumulam paletes de notas à espera das empresas de transporte de valores (que as distribuem pelos bancos e grandes superfícies) e onde existem um laboratório para análise de contrafações e um departamento de escolha e destruição de notas, há também um pequeno departamento que tem duas funcionárias (que podem ser mais em períodos de pico de trabalho) cujo trabalho é tentar ‘recuperar’ notas estragadas para devolver aos cidadãos dinheiro que, de outro modo, seria perdido.

Guardar notas em casa é um hábito dos portugueses — seja em gavetas, em arrecadações ou enterradas — mas as notas são deterioráveis e muitas ficam estragadas pela humidade, com bolor, aparecem roídas por ratos ou são comidas pelos vermes da terra. Há ainda as que ficam destruídas em incêndios (geralmente domésticos).

Para evitar que os cidadãos percam esse dinheiro, o Banco de Portugal tem um serviço gratuito de valorização de notas: os cidadãos podem entregar as notas estragadas ou mutiladas nos postos do Banco de Portugal ou até enviar pelo correio.

A maior parte das notas terá sido consumida pelo fogo mas, ainda assim, foram valorizadas pelo Banco de Portugal 4022 notas, que estavam guardadas em casas e empresas.

Um empresário enviou para o Banco de Portugal cerca de 60 mil euros que tinha dentro de um cofre para pagar os salários aos trabalhadores. O cofre não foi consumido pelas chamas, mas a proximidade do calor fez com que as notas tivessem ficado ‘cozidas’. O empresário ligava regularmente a perguntar quando estaria concluído o trabalho para poder pagar aos seus funcionários, que já tanto tinham perdido nos incêndios.

Segundo José Luís Ferreira, a funcionária que fez esse trabalho — e que agora já está na reforma — “chorou quando concluiu a valorização das notas”. O montante foi integralmente devolvido.

“Foi uma situação muito delicada e honra-nos ter aliviado um bocadinho o sofrimento daquelas pessoas”, afirma o responsável do Banco de Portugal.

O facto de as notas terem na sua composição algodão facilita a ação da humidade e de fungos e vermes.

• C/ Lusa

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