Procissões pascais no Fundão foram canceladas “para não ferir a fé de judeus e islamitas”?
Circula nas redes sociais a informação de que as procissões de Páscoa no Fundão foram canceladas “para não ferir a fé de judeus e islamitas”. A publicação conta com mais de 200 comentários e perto de 500 reações, mas a alegação é falsa e o motivo do cancelamento nada tem a ver com crenças religiosas diferentes.
Procissões pascais no Fundão foram canceladas “para não ferir a fé de judeus e islamitas”?
“Procissões pascais no Fundão canceladas para não ferir a fé de Judeus e Islamitas. Vergonha”, escreve-se numa publicação de Facebook com mais de 200 comentários e perto de 500 reações.
Na secção de comentários, há quem culpe o “socialismo” por esta alegada decisão e há quem acredite que “estamos a perder a nossa identidade”. “Não posso acreditar nisto. Como é que um acto de culto da nossa religião pode ferir alguém, quem não quiser que não compareça. Estamos na Europa cristã, no Portugal católico. Respeitar todos é uma coisa, abdicar da nossa fé é outra”, lê-se numa destas reações.
Mas é verdade que estas procissões foram canceladas para não ofender outras religiões?
Não, a informação é “totalmente falsa”. Quem o confirma ao Polígrafo é o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Fundão, entidade responsável pela organização destas celebrações.
Jorge Gaspar explica que o motivo do cancelamento das procissões nada tem que ver com outros credos, mas sim com o contexto pandémico.
“A mesa administrativa da Misericórdia do Fundão conjuntamente com a paróquia do Fundão reuniu para ponderar se este ano haveria condições para realizar as tradicionais procissões, nomeadamente de quinta-feira e sexta-feira santa, bem como a procissão dos Passos, face à pandemia que nos assola”, justifica.
Jorge Gaspar acrescenta que a decisão foi tomada para “não colocar em risco” os principais intervenientes na procissão, sobretudo os mais idosos, dado que a celebração implica “proximidade” e ajuntamentos. “Entendemos que, em termos sanitários e em termos de segurança, era mais cauteloso não fazermos ainda este ano as procissões”, conclui.
“FACE À SITUAÇÃO PANDÉMICA EM QUE AINDA VIVEMOS, QUE ESTÁ A PAUTAR-SE POR UM AUMENTO DO NÚMERO DE CONTÁGIOS, FALANDO-SE JÁ NUMA SEXTA VAGA, CONSIDERÁMOS DE BOM SENSO NÃO REALIZAR AS MANIFESTAÇÕES PÚBLICAS DE CULTO DA SEMANA SANTA (…)”.
No dia 22 de março deste ano, a Santa Casa da Misericórdia já tinha publicado um texto na sua página oficial do Facebook a expor o motivo do cancelamento das procissões pascais: a Covid-19.
“Face à situação pandémica em que ainda vivemos, que está a pautar-se por um aumento do número de contágios, falando-se já numa sexta vaga, considerámos de bom senso não realizar as manifestações públicas de culto da Semana Santa, nomeadamente a Procissão do Senhor da Cana Verde e a Procissão do Enterro do Senhor, de modo a evitarmos a enorme aglomeração de pessoas que, normalmente, estes atos de culto provocam e a proximidade interpessoal que geram”, pode ler-se nessa publicação.
Em suma, a informação partilhada é falsa, dado que as profissões não foram canceladas “para não ferir a fé de judeus e islamitas”, mas sim para evitar um aumento do número de casos de Covid-19 na região.
Fonte: Polígrafo


