A Real Associação da Beira Interior leva a efeito no próximo dia 26 de Março, pelas 15 horas, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, mais uma palestra – recital da série “Já leram a poesia de…?”, desta vez consagrada à poesia de Júlio Dantas e a cargo do poeta António Salvado.
Júlio Dantas (Lagos, 1876; Lisboa 1962) constitui personalidade de escritor muito aplaudido por um lado, e objecto de acérrimas críticas, por outro (lembremos o Manifesto panfletário de Almada Negreiros “Anti – Dantas”…). Tendo sido embora um escritor de obra não raramente fútil, mas a verdade é que essa mesma obra revela, em simultâneo, pontos muito altos de criatividade literária. Poeta, romancista, dramaturgo, cronista, a sua celebríssima peça de teatro “A ceia dos Cardeais” (1902) entregou-lhe, até, notoriedade nacional e de além – fronteiras.
Desempenho no funcionalismo ao Estado revelantes cargos (deputado, ministro da Instrução Pública dos Negócios, membro de missões diplomáticas e, noutra prespectiva, doutor honoris causa por várias universidades, Presidente da Academia de Ciências de Lisboa).
Hábil artista na construção de versos (algumas das suas obras de teatro vazam-se em dicções métricas), como poeta lírico, autor de composições de impecável forma, deixou-nos apenas dois livros: “Nada” (1896) e “Sonetos” (1916), exemplo de um decadentismo muito fim de Século, de constante confessionalismo magoado, muito à maneira do “Só” de António Nobre ou os “Fel” de José Duro.
Escritor mundano, mas de singulares lampejos fascinantes, páginas mas de, por exemplo, “Pátria Portuguesa” ou de “Marcha Triunfal” continuam a merecer atenção, e isto para lá da referida “Ceia dos Cardeais”, e não só.
Mas será do conteúdo daqueles dois livros referenciados de poemas (“Nada” e “Sonetos”) que a palestra – recital de António Salvado f
