NOAH, um ano depois: o que é feito do menino-milagre e da família, todos os detalhes do processo arquivado, o restaurante e onde anda a família
17 de Junho de 2021. O dia em que, para alívio de todos, a criança de 2 anos foi encontrada sã e salva 36 horas depois.
Entretanto, o processo acabaria por ser aquivado pela PJ nos últimos dias de setembro do ano passado (três meses depois da ocorrência). Concluiu o relatório que não houve qualquer tipo de negligência por parte dos pais da criança e que esta desapareceu de casa por ser “irrequieta e ativa”. Foi o próprio menino quem confirmou aos psicólogos que com ele conversaram após o acontecido, “que se despiu, que se descalçou, que fez xixi na fralda, que a despiu, que bebeu água da ribeira e que brincou na lama”. E ainda que durante a noite ao relento “teve muito frio”.
Perante este ralato, a observação do menino no hospital após ser encontrado e as tais conversas com psiocólogos, o relatório da PJ conclui que “apesar do trauma vivido, Noah denota ser uma criança bem física e emocionalmente”. E assim se arquivou o processo.
Na aldeia de Proença-a-Velha e arredores, a vida voltou ao “normal” após os repórteres da televisão e dos jornais terem concluido as suas reportagens sobre o pequeno Noah. A criança estava viva, salva, em casa dos pais.
Desde essa altura o casal também recuperou o seu dia a dia sem surpresas: continuaram a sua agricultura de subsístência, os encontros com amigos das várias comunidades da zona que também defendem que a vida no campo deve ser feita da forma mais natural possível. Após a invasão exterior de jornalistas que relataram a história das buscas pelo menino de dois anos, o casal decidiu proteger-se a si próprio e aos filhos. Fecharam as redes sociais – só deixando abertas aos seus próximos – muitos do que ajudaram nas buscas do menino.
Mas não se fecharam ao mundo. Rita e Leandro continuam a viver em Proença-a-Velha e, surpresa, estão a programar abrir um restaurante naquela aldeia da Beira interior, dando assim continuidade a uma atividade que é familiar ao antigo chef e que pode ajudar a desenvolver a região onde a desertificação impera.
Para os ajudar contam com os amigos, das comunidades vizinhas, em especial a de Penamacor, onde vivem portugueses e sobretudo muitos estrangeiros (holandeses, alemães, franceses…) que, tal como os pais de Noah, acreditam que é possível recomeçar e levar uma vida saudável e “limpa” longe dos grandes centros urbanos, vivendo de agricultura de subsistência, trabalhos artesanais vendidos em mercados da região e até troca direta de bens essenciais.
Segundo o relatório da PJ que arquivou o processo, e que afasta a intervenção de terceiras pessoas no desaparecimento da criança, está escrito que: “perguntaram se ele tinha ouvido as pessoas a chamarem-no, mas ele respondeu que não viu nada, nem viu ninguém. Explicou que ouviu apenas uma pessoa e foi ao encontro dela [indicando um dos membros do casal que o encontrou]”. Mais, Noah contou que na noite que antecedeu a sua “fuga” de casa, o pai contou-lhe “sete histórias para adormecer”, uma vez que havia trovoada e o menino estava com medo.
Informa ainda o relatório que, por causa do mau-tempo, a mãe também dormiu no beliche do filho e só se apercebeu de manhã, quando acordou, de que este já não se encontrava em casa.
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