O cardeal que foi Primeiro-Ministro
A Cooperativa Pinacoteca, organizou uma palestra, no dia 7 de julho, subordinada ao tema “cardeal João da Mota e Silva – político e sacerdote slbicastrense dos Séc, XVII e XVIII”, no Palácio dos Cardosos.
Os oradores convidados foram os professores e historiadores oriundos da Freguesia de Almaceda, Hermínio Esteves e André Gonçalves.
Na Mesa estiveram os oradores e o presidente da Cooperativa Pinacoteca, José Barata de Castilho.
Segundo André Gonçalves, “o cardeal da Mota nasceu em , no dia 14 de agosto de 1685, provavelmente, na rua do Saco, filho de Amaro Dias e Maria dos Santos, teve como padrinhos João Freire Côrte-Real e Isabel Freire Côrte-Real.
O baptismo foi celebrado pelo bispo da Guarda, Luís da Silva.
João da Mota e Silva, consta que teve 4 irmãos e duas irmãs, que todos seguiram a vida eclesiástica.
Em 1691, o bispo da Guarda deixou , por ter sido nomeado bispo de Évora, e a família de João da Mota acompanhou-o.
Em 1702 o cardeal da Mota concluiu o bacharelato em Artes, na cidade de Évora. No ano de 1709 matriculou-se em Coimbra, onde conclui o doutoramento em Teologia, no ano de 1712.
Em 1713 passou a ser o 1º cónego Magistral em Lisboa e, em 1715 e 1716 participou nas Conferências do Núncio Apostólico, o que permitiu a João da Mota e Silva ganhar notoriedade no Reino de Portugal.
Em 1720 o cardeal da Mota é um dos 50 sócios fundadores da Real Academia de História, criada por D. João V, na capital do Reino, Lisboa.
Entre 1722 e 1726 passou a participar nas grandes decisões políticas do País.
No ano de 1726 a proximidade do sacerdote com o Rei João V evidencia-se quando o nomeia cardeal, levando à sua elevação a Cardeal, pelo Papa Bento XIII, em 1727.
O cardeal da Mota, sendo uma pessoa que viajava muito pouco, não vai à cidade Eterna – Roma, para receber o barrete cardinalício, que lhe será entregue, em Lisboa, no ano de 1728.
Em 1731 foi incumbido da aquisição de vários livros de Teologia e da organização da Biblioteca do Convento de Mafra.
Em 1736, a morte do Ministro (que correspondia na atualidade ao Primeiro-Ministro) Diogo de Mendonça Côrte-Real, abriu as portas e janelas à entrada do cardeal da Mota como “Primeiro-Ministro” do Rei João V.
O cardeal da Mota reforma a política nacional, criando 3 Secretarias de Estado e entregando-as a pessoas da sua confiança.
Luís da Cunha, rival do cardeal da Mota, apesar de em algumas situações estar de acordo com ele, após a sua morte, põe em causa as suas capacidades como “Primeiro-Ministro”, desvalorizando a sua ação política.
O cardeal da Mota com uma saúde muito débil, pelo menos desde a década de 30 do séc. XVII, faleceu em 4 de outubro de 1747.
No Séc. XX, em , houve duas homenagens ao cardeal da Mota, uma em 1950 (atribuição do seu nome a uma das ruas da cidade) e 1966 (descerramento de uma placa, no âmbito da IV Romagem de Saudade)”.
Hermínio Esteves referiu o facto de nas várias Histórias de Portugal e de vários historiadores notáveis, “pouco se falar da grande personagem que foi o cardeal da Mota, pessoa que tem que ser investigada para se conhecer mais detalhadamente o seu papel na História de Portugal”.
Refere o orador que “os 3 irmãos do cardeal da Mota foram também sacerdotes, assim como as suas irmãs religiosas. Sendo um dos irmãos – Pedro da Mota, que ganhou alguma notoriedade na época setecentista em Portugal, chegando a ser Secretário de Estado do Reino.
Desde os 22 anos, o cardeal da Mota, começa a ganhar grande notoriedade e influência na Corte de D João V. Este monarca, através de cartas e pequenas notas, pedia sempre a opinião do seu Ministro cardeal da Mota, que desde 1736 passa a governar o País.
A correspondência entre o cardeal da Mota e D. João V carece dum estudo exaustivo, única forma de preencher as lacunas que impedem o cabal conhecimento da obra e da figura deste ilustre albicastrense.
A criação de fábricas de têxteis em Portugal, no reinado de D. Pedro II, acabou por não produzir os resultados esperados, situação que se agravou com o Tratado de Methwen, bastante benéfico para a Grã-Bretanha e prejudicial para Portugal.
No tempo de D. João V, o cardeal da Mota elaborou um importante parecer que, por alvará de 25 de Fevereiro de 1734, permitiu a criação da fábrica da Cotovia, em Lisboa, (Real Fábrica das Sedas), sendo o documento assinado pelo secretário de Estado Diogo de Mendonça Corte Real, ignorando a historiografia em geral a importante participação do cardeal da Mota neste capítulo.
O cardeal da Mota era de origem muito humilde, no campo social, mas ganhou grande notoriedade ao longo da sua vida, talvez tendo ajudas dos seus padrinhos que eram da nobreza e do bispo da Guarda.
O que é certo, qualquer decisão por parte do Rei João V, tinha o aval do cardeal da Mota.
Luís da Cunha e Alexandre de Gusmão atribuíam ao cardeal da Mota o atraso da agricultura, do comércio e da indústria e a distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos.
Na realidade, o Cardeal da Mota procurou sempre, junto da Inquisição, promover um tratamento mais tolerante para com os cristãos-novos.
No seu Testamento, o cardeal da Mota nomeou o seu irmão, Pedro da Mota, seu herdeiro e testamentário, especificando o procedimento relativo à divisão dos seus bens.
A análise deste documento mostra-nos que o Cardeal da Mota, apesar da sua longa proximidade para com D. João V, dificilmente se poderia considerar um homem rico.
Com a morte de D. João V e consequente subida ao trono de D. José, Luís da Cunha entrega a este soberano um documento que pode se considerado um verdadeiro programa de governo.
Dos nomes que indica para Secretários, D. José aceita apenas a sugestão referente a Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal.
Importa referir que foi com o cardeal Mota que Sebastião José iniciou a sua atividade diplomática, em Viena, e depois, em Londres, devendo-se assim ao cardeal da Mota o início da sua importante carreira política.
