“A floresta de Oleiros, no ano de 2010,
sequestrou 258 mil toneladas de Carbono”
O Forum “Oleiros: Floresta de Oportunidades” realizou-se na passada quinta freira dia 16, em Oleiros, no Auditório da Sociedade Filarmónica Oleirense.
A iniciativa do Município de Oleiros e do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) era aberta a toda a população e contou com a presença de uma centena de participantes.
O encerramento da sessão que se revelou de elevado interesse, esteve a cargo dosecretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Miguel de Castro Neto.
O primeiro painel, moderado por João Pinho, vice-presidente do ICNF, deu especial enfoque a alguns modelos de silvicultura. Na ocasião, o moderador realçou as potencialidades da floresta de Oleiros, referindo que “muitas estão já concretizadas”.
O dirigente referiu a importância do índice de floresta per capita, abordou a dicotomia entre floresta de produção e de conservação e lançou para a mesa a reflexão sobre o valor da floresta, “numa região que se situa nas imediações da bacia hidrográfica de Castelo de Bode, sendo responsável pela qualidade da água que abastece a região da Grande Lisboa.
A abrir as comunicações, Carlos Cupeto, da Universidade de Évora, numa muito apreciada exposição, realçou que “o valor da floresta não se esgota na madeira”, afirmando mesmo que “o momento é de grande oportunidade e Oleiros tem tudo para o aproveitar. O difícil é não o fazer”.
O orador deu especial enfoque à economia verde, numa dinâmica inerente aos ecossistemas que assenta na utilização eficiente dos recursos, indo “muito para além dos sacos de plástico”.
Este conceito circular que congrega setor florestal, turismo e educação, “permite a criação de novas atividades económicas na região, o chamado “up local”, garantido através da consideração dos ativos ambientais e das potencialidades existentes e da introdução de novos fatores de competitividade e da ecoinovação em práticas empreendedoras”.
A fechar este primeiro painel, Maria Margarida Ribeiro, da Escola Superior Agrária de Castelo Branco, abordou um modelo de silvicultura bastante promissor no território, numa apresentação sobre a dinâmica florestal do medronheiro.
O segundo painel, moderado por José Santos Marques, presidente da Assembleia Municipal de Oleiros e representante dos municípios portugueses no Conselho Executivo do Ano Internacional das Florestas, abriu com a intervenção de Carlos Pinto Gomes, da Universidade de Évora, que revelou um impressionante conhecimento do concelho.
Segundo o especialista em biofísica, “Oleiros é um território de elevada originalidade, conseguida através de um solo xistoso e um bioclima marcado pela presença de humidade”, ou o topónimo de Oleiros não derivasse de “olhos d´água”.
O orador alertou ainda para a necessidade de criar descontinuidades e para algumas problemáticas como a invasão de exóticas, a erosão dos solos ou o despovoamento que leva à suscetibilidade do território.
Esta apresentação debruçou-se ainda sobre alguns bioindicadores e sobre a vegetação potencial do concelho, dando destaque para a presença de espécies como o carvalho alvarinho, o medronheiro ou o azereiro, referindo que “a região de Oleiros tem 90% das comunidades de azereiro do mundo”.
A encerrar o último painel, Conceição Ferreira, do ICNF e representante daquela entidade no Conselho Executivo do Ano Internacional das Florestas, começou por distinguir as fileiras industriais (madeira, cortiça e papel) das emergentes (biomassa, resina e outros subprodutos da floresta).
A oradora alertou também para as ameaças da erosão dos solos e do avanço de espécies invasoras.
Conceição Ferreira realçou ainda que “o setor florestal gera um valor económico líquido de 1.134 milhões de euros” e pode distinguir-se nas suas múltiplas funções: produtiva, de proteção, de recreio e enquadramento na paisagem, de silvopastorícia caça e pesca e de conservação de habitats, espécies de fauna e flora e geomonumentos.
Numa sessão que abriu com a temática da economia verde, a abordagem ao sequestro de Carbono não poderia faltar e foi referido que “a floresta de Oleiros, no ano de 2010, sequestrou 258 mil toneladas de Carbono”.
O secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Miguel de Castro Neto, realçou em Oleiros que o setor florestal dá um contributo importante ao nível das exportações. “Temos que olhar de outra forma para os recursos naturais do País”, afirmou, considerando que o País viveu muitos anos a olhar para as áreas protegidas apenas numa lógica de conservacionismo.
“Temos 46 áreas protegidas que abrangem mais de 80 concelhos do País, mas o turismo de natureza e cultural tem crescido a passos largos”, acrescentou.
O governante disse ainda que no programa comunitário ‘Portugal 2020’ existem medidas para o investimento nesse capital natural e cultural: “É esse trabalho que temos que fazer”.
