A defesa do fuzileiro Cláudio Coimbra, acusado de homicídio qualificado do agente da PSP Fábio Guerra, em março deste ano, justifica o pedido de julgamento em tribunal de júri por considerar que os jurados são “mais livres” do que os juízes.
Recorde-se que o agente da PSP Fábio Guerra, morreu a 21 de março deste ano, no Hospital de São José, em Lisboa, devido a “graves lesões cerebrais” sofridas na sequência de agressões de que foi alvo no exterior de uma discoteca em Lisboa.
“Temos alguém que já está condenado na praça pública e nós pedimos tribunal de júri. Acreditamos que o povo, enquanto jurado – ao contrário das instituições, que, por vezes, se acobardam com a pressão da opinião pública -, perante as evidências não deixará de fazer justiça”, afirmou à Lusa o advogado Miguel Santos Pereira, na sequência do despacho proferido na última semana pela juíza Helena Susano a validar o pedido apresentado.
O mandatário de Cláudio Coimbra entende que há “prova suficiente” no processo para fundamentar uma acusação do Ministério Público (MP) distinta daquela que foi apresentada em setembro e que imputou aos arguidos Vadym Hrynko e Cláudio Coimbra um crime de homicídio qualificado, três crimes de ofensas à integridade física qualificadas graves e um crime de ofensas à integridade física simples.
Apesar de reconhecer que o historial dos julgamentos com jurados em Portugal se traduziu quase sempre em condenações pesadas, ao citar o caso Joana, Rei Ghob e Rosa Grilo como exemplos, Miguel Santos Pereira expressa a crença de que a probabilidade de conseguir um melhor resultado para Cláudio Coimbra é através do tribunal de júri.
“Muitos magistrados judiciais sofrem hoje a pressão de que, quando decidem contra a maré e a opinião pública, têm as suas vidas escrutinadas. E não querem, não estão para isso. Portanto, o mais confortável é passar entre os pingos da chuva para poderem subir a desembargadores ou conselheiros e fazerem a sua carreira. Os jurados não têm esta questão”, terminou por explicar.
