Era suposto que reabrisse hoje a Linha da Beira Alta, encerrada desde 19 de Abril do ano passado, mas a circulação de comboios não deverá ser retomada antes de 12 de Novembro. A reabertura do troço Pampilhosa-Guarda, com 160 quilómetros, está agora prevista para Novembro.
A notícia foi avançada pelo “Público” e confirmada pelo TRANSPORTES & NEGÓCIOS junto dos operadores ferroviários afectados, que terão sido também hoje informados do atraso.
A realização de trabalhos não previstos e as dificuldades na contratação de mão-de-obra e materiais são as razões invocadas para justificar mais um ano de atraso na modernização da Linha da Beira Alta que o Ferrovia 2020 previa ficasse pronta algures em 2019.
O fecho da linha perturba o transporte de passageiros, com a CP obrigada a manter um serviço de transbordo rodoviário, mas penaliza sobretudo o transporte de mercadorias. Porque a alternativa ferroviária (Linha da Beira Baixa) é mais cara e tem menos capacidade, e porque a transferência das cargas para a rodovia arrisca ser uma ida sem volta.
Como se isso não bastasse, confirmou hoje o TRANSPORTES & NEGÓCIOS, as prometidas compensações pelos sobrecustos operacionais suportados pelos operadores de mercadorias (para que nem eles, nem os seus clientes sintam a diferença na factura a suportar) continuam por ser pagos.
“Já assinámos [o acordo sobre as compensações] mas ainda não conseguimos fechar a quantificação dos valores, logo ainda não recebemos”, lamentou o porta-voz de um dos operadores.
O atraso da modernização da Linha da Beira Alta poderá também atrasar a implantação do porto seco que o Porto de Leixões se propõe desenvolver na Guarda, uma vez que parte do terreno a ele destinado, na estação ferroviária local, está ocupado com o estaleiro das obras.
