Proença-a-Nova

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Alunos de Escultura promoveram Residência Artística

Cerca de 15 alunos do curso de Escultura da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa estiveram em para a realização da Residência Artística “Arte e Natureza”, entre os dias 17 e 22 de outubro. O grupo, que ficou alojado no Parque de Campismo da Aldeia Ruiva, contou com alunos de todos os graus letivos, desde o primeiro ano da licenciatura ao último de mestrado. Além do trabalho de campo desenvolvido nas proximidades do Parque de Campismo, os alunos foram conheceram o percurso do Roteiro das Artes, tendo sido recebidos no primeiro dia de estadia nos Paços do Concelho pelo presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, João Lobo.

Guilherme Pontes, um dos alunos responsáveis pelas questões logísticas desta Residência Artística, explica que as atividades desempenhadas pelos alunos “dependem da forma como cada um as encara, sendo possível verem-se trabalhos individuais, em pares ou trios. Uns ajudam a tirar fotografias e outros tratam da transformação dos elementos naturais que vão encontrando”. Quanto à preparação prévia para este tipo de saídas, Guilherme afirma que “muitos dos alunos têm já uma proposta ou uma ideia generalizada daquilo que gostam de trabalhar. A maior parte acaba por transformar ou manipular elementos com instalações simples, até porque não temos ferramentas, o que acaba por ser um pouco limitado em termos de recursos”.

Em relação às vantagens em trabalhar fora do ambiente de Faculdade, Guilherme Pontes, agora a frequentar o segundo ano de Mestrado em Escultura, não tem dúvidas de que o trabalho em ajudou todos os participantes a estimular a liberdade criativa: “a questão das avaliações e da pressão académica leva as pessoas a fecharem-se e a terem receios sem saber para onde ir, e como o trabalho criativo é muito individual as pessoas facilmente acabam por isolar-se”. O estudante contou ainda alguns relatos que lhe foram chegando, destacando que “alguns dos participantes comentaram que sentem que quando estão aqui, neste trabalho exterior e em contacto com a natureza sentem que o mundo lá fora congelou, que parou por instantes”.

José Esteves, professor assistente convidado da Faculdade de Belas-Artes, que acompanhou o grupo durante a estadia, destaca a importância destas saídas para a coesão intra-pessoal do grupo: “um das características mais importantes destas saídas de campo é aproximarmo-nos uns dos outros de uma forma bastante diferente daquela que é estimulada na faculdade no dia-a-dia”.

O docente ressalta ainda à singularidade destes encontros do ponto de vista do trabalho prático para os alunos: “não há qualquer militância para que desenvolvam trabalhos, cada um disponibiliza a sua sensibilidade e experiência de vida, recebe todas as informações e depois as coisas vão surgindo. Dou-lhes algumas informações de base, mas têm de ser eles a perceber o que verdadeiramente lhes interessa, é preciso que eles descubram por eles mesmos. O convívio e essa proximidade, sem concorrências de classificações ou de avaliações, acaba por fazer com que se respire um ar mais puro, literalmente mas também metaforicamente falando.”

Esta atividade surge inserida como parte integrante do protocolo estabelecido entre o Município de e a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

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