Covilhã

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𝗦𝗲𝗺 𝗮𝗹𝘁𝗲𝗿𝗻𝗮𝘁𝗶𝘃𝗮 𝗻𝗮 𝗖𝗼𝘃𝗶𝗹𝗵𝗮̃, mãe faz 𝟯𝟬𝟬 𝗞𝗺 para proporcionar terapias ao filho, diagnosticado com 𝗽𝗮𝗿𝗮𝗹𝗶𝘀𝗶𝗮 𝗰𝗲𝗿𝗲𝗯𝗿𝗮𝗹 𝗲 𝗲𝗽𝗶𝗹𝗲𝗽𝘀𝗶𝗮.

Eduardo, mais conhecido por “Baby Dudu” tem dois anos de idade.

Aos cerca de três meses, foi diagnosticado com Leucomalácia Periventricular, uma forma de lesão cerebral.
Aos cerca de sete meses, uma Epilepsia.
A Beira Baixa TV conversou com a mãe, Patrícia Mota, que fez um apelo por ajuda.

BBTV – Patrícia, quando é que se apercebeu de que algo não estaria bem com o Eduardo?

Patrícia – “O Eduardo não parava de chorar, era dia e noite a chorar. Fomos várias vezes aos hospitais. Como era bebé, o diagnóstico era sempre o mesmo: cólicas, gases e era normal até que, aos três meses, decidimos ir a um médico particular, porque já não aguentávamos mais tanto choro. Tínhamos de nos revezar para dormirmos um pouco e a minha filha mais velha tinha de ajudar para descansarmos. Assim que fomos à médica particular, ela viu logo que alguma coisa não estava bem. Fizeram-lhe uma ecografia à cabeça e, nessa altura, é que nos encaminharam para Coimbra”.

BBTV – O diagnóstico foi confirmado após uma Ressonância Magnética, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra – Hospital Pediátrico. Como é que se recebe este diagnóstico?

Patrícia – “Sinceramente, eu não tinha noção do que era e demorei, ainda algum tempo, a assimilar o problema dele. Ainda hoje, custa um bocadinho a assimilar, porque é uma paralisia, problemas motores. Mas como ele é tão bebé, nós não notamos as dificuldades dele. A princípio, sinceramente, foi como se me dissessem que ele estava constipado, não liguei muito, nunca me atrevi a pesquisar na internet porque, para mim, é pior. Depois vemos com cada caso que ainda é pior e pode não ter nada a ver com o problema dele”.

BBTV – A seguir, outro diagnóstico: Epilepsia?

Patrícia – “As crises que ele tinha, eu dizia que não eram normais, que ele tinha alguma coisa, mas os médicos sempre desvalorizaram, até ao dia em que eu filmei. Ele teve uma crise e eu enviei o vídeo para a Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, onde ele já era seguido, e a neurologista reencaminhou-me imediatamente para o Hospital Pediátrico para lhe ser feito um Eletroencefalograma, porque viu logo que havia alguma coisa que não estava bem”.

BBTV – Esse exame confirmou a Epilepsia. O que vos foi dito acerca do prognóstico para o Eduardo?

Patrícia – “Até hoje, não nos dizem nada. É esperar porque ele também ainda é muito pequenino. Todos dizem é para não esperar muitas evoluções”.

BBTV – Sem tratamento, a aposta é nas terapias?

Patrícia – “Sim. Nós viemos agora para Braga tentar, já tínhamos vindo em abril e maio. Aqui, têm terapias normais: Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Terapia da Fala. Infelizmente, o Estado que nós temos, dá ao Eduardo uma hora de Fisioterapia por semana, no Hospital Cova da Beira, na . Ele precisa muito da Fisioterapia e não há solução para ele na .

BBTV – Neste momento, o Eduardo está a fazer terapias intensivas, cerca de três horas por dia?

Patrícia – “Sim, uma hora de cada, por dia. Ele também não aguenta muito mais, fica muito cansado, começa a chorar. Vamos ficar até meados de fevereiro.

BBTV – Essas terapias são pagas por vocês?

Patrícia – “Sim sim. O Estado não ajuda em nada, não comparticipa nada”.

BBTV – Ele está consigo em casa, não frequenta a creche?

Patrícia – “Sou a cuidadora informal dele. Recebo cerca de trezentos euros”.

BBTV – Precisavam de algum apoio?

Patrícia – “Nós fazemos recolha de plástico, temos alguns sítios específicos que aceitam que vamos recolher e temos algumas iniciativas no verão, como o Festival da Cherovia, na , onde temos uma barraquinha”.

BBTV – Como é que é o vosso dia-a-dia?

Patrícia – “É complicado. Ele requer atenção a toda a hora. Não se senta porque ainda não segura a cabeça. Ele quer colo o dia todo, mimo. Ele está sentado, mas ao meu colo e é complicado para fazer as refeições, tomar banho, etc”.

BBTV – É como se fosse um recém-nascido?

Patrícia – “Sim, só que é mais pesado…as costas, os braços, é complicado, mas é a melhor coisa que eu tenho na vida, é este menino”.

BBTV – Há dias muito difíceis?

Patrícia – “Há dias muito difíceis porque ele toma medicação à noite e, às vezes, não quer dormir à noite e depois o dia torna-se difícil, porque ele vai dormindo durante o dia, mas eu tenho coisas para fazer, almoço, roupas, a vida de casa”.

BBTV – A medicação é para controlar a Epilepsia?

Patrícia – “Sim, mas não está a fazer efeito. Ele já a está a tomar há dois anos”.

BBTV – Está sozinha?

Patrícia – “Eu tenho outra filha com 15 anos que está, neste momento, com o pai dela. É muito complicado sobreviver com trezentos e poucos euros, com as despesas que ter uma criança como eu, acarreta. O pai ajuda no que pode, mas estou sozinha”.


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