“𝗘𝗺 𝗙𝗿𝗮𝗻𝗰̧𝗮 𝗱𝗼𝗿𝗺𝗶 𝘂𝗺𝗮𝘀 𝗾𝘂𝗮𝘁𝗿𝗼, 𝗰𝗶𝗻𝗰𝗼 𝗻𝗼𝗶𝘁𝗲𝘀, 𝗲𝗺 𝗽𝗮𝗿𝗮𝗴𝗲𝗻𝘀 𝗱𝗲 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗰𝗮𝗿𝗿𝗼 𝗼𝘂 𝗽𝗮𝗿𝗾𝘂𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗶𝗻𝗵𝗮𝗺 𝘂𝗺 𝘁𝗲𝗹𝗵𝗲𝗶𝗿𝗼” – Alexandre Duarte – 𝟱 𝗺𝗲𝘀𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗽𝗲𝗿𝗲𝗴𝗿𝗶𝗻𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼, 𝟯.𝟭𝟰𝟬 𝗾𝘂𝗶𝗹𝗼́𝗺𝗲𝘁𝗿𝗼𝘀, 𝟰 𝗽𝗮𝗶́𝘀𝗲𝘀
𝗔𝗹𝗲𝘅𝗮𝗻𝗱𝗿𝗲 𝗗𝘂𝗮𝗿𝘁𝗲 está em peregrinação há cerca de cinco meses, desde Outubro de 2014. Nos pés, já leva cerca de 𝟯.𝟭𝟰𝟬 𝗾𝘂𝗶𝗹𝗼́𝗺𝗲𝘁𝗿𝗼𝘀 e 𝟰 𝗽𝗮𝗶́𝘀𝗲𝘀 percorridos.
Quando alcança uma meta, já está a pensar na próxima.
Depois de Roma, a próxima meta já está definida: San Giovanni di Rotondo, local onde se encontra o corpo de Padre Pio.
BBTV – Chegou, no passado sábado, dia 15 de fevereiro, a Roma, Itália. Qual o sentimento à chegada?
Alexandre Duarte – “Cheguei a Roma às duas e meia da tarde. O sentimento foi de alegria, por ter conseguido alcançar outra meta. Um destino que, nem eu, estava à espera de conseguir alcançar porque, durante o caminho apareceram-me vários desafios, bons e maus, como dores e bolhas nos pés, mini queimaduras pelo facto do calcanhar roçar nas sapatilhas”.
BBTV – Depois de ter chegado a Santiago de Compostela, Roma tornou-se o objetivo seguinte?
Alexandre Duarte – “Quando cheguei a Santiago de Compostela, no momento que estava na catedral, questionei-me a mim mesmo se estava pronto para regressar a casa. Fiquei em silêncio uns instantes e, algo me respondeu na minha mente: não, se voltares para casa irás voltar à mesma rotina, sugiro que sigas o teu caminho, vai até Roma”.
BBTV – Como foi a jornada desde Santiago de Compostela até Roma? Momentos marcantes?
Alexandre Duarte – “Digo difícil. Em Espanha foi fácil encontrar albergue para evitar dormir na rua mas, ao atravessar o sul da França, e em Itália foi muito, mas muito complicado, ter um lugar para dormir em condições, apesar de ter encontrado, mas muito complicado. Deu-me a entender que, a maior parte dos albergues que se encontram nos caminhos oficiais de peregrinação, são para turistas que vêm no verão, e não para verdadeiros peregrinos que se encontram a qualquer altura do ano.
Em França dormi, umas quatro, cinco noites, em paragens de autocarro ou parques que tinham um telheiro. Outras vezes, dormi em casa de pessoas que me acolheram através de um grupo do Facebook. Noutras partes, o caminho é bastante desafiador, tem de se ter muita atenção quando caminhamos. Em França fiz 3 `workaway` (programa do género `woofing`, trabalho voluntário de cinco horas por dia, em troca de alimentação e alojamento), em datas separadas”.
BBTV – As pessoas que tem conhecido ao longo desta jornada, o que lhe têm ensinado?
Alexandre Duarte – “Aprendo bastante nos `workaway’s` que tenho realizado, cuidar de animais, viver fora de sociedade, viver a vida da maneira que podemos e ser feliz. Mesmo que as coisas não corram da maneira que queremos, é importante nunca perder a esperança, nunca desistir”.
BBTV – Esta jornada está a ser transformadora da sua vida? É, hoje, um Alexandre diferente daquele que saiu de Castelo Branco, em Outubro?
Alexandre Duarte – “Sim está a ser. Fica uma boa recordação para a minha vida. Estou a aproveitar a vida de outra maneira. Durante o caminho aparecem-me bastantes sinais espirituais. Não digo diferente, mas algo está a mudar sim”.
BBTV – O caminho tem-lhe dado as respostas que procurava?
Alexandre Duarte – “De momento, não consigo responder a isso, mas acredito que sim. Falta-me pôr alguns itens em prática e só depois poderei dizer ou mostrar que mudou”.
BBTV – Sei que não vai parar por aqui. O que o continua a mover?
Alexandre Duarte – “Os sinais que me têm aparecido durante o trajeto. A vontade de caminhar e ser livre”.
BBTV – Qual a próxima meta?
Alexandre Duarte – “Próxima meta é seguir um pouco mais a sul, ir até San Giovanni di Rotondo, onde se encontra o corpo de Padre Pio. Tentar arranjar emprego em Itália (se não conseguir, logo se vê, a minha intenção não era, para já, retornar a casa) poderá não ser uma caminhada seguida, tenciono também fazer `workaway`, se tiver alguém na trajetória que me chama, através da `app workaway` ou telemóvel, irei ajudar durante os dias que forem precisos e depois continuo. Quero dar um agradecimento também às pessoas que me têm seguido nas redes sociais e também aos que me ofereceram donativos na ajuda na minha peregrinação”.
