Covilhã

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“Tanto lhe pedia, se não estivesse de serviço para não agir, mas eu sabia que não ia acontecer, pois ele não conseguia ficar indiferente e ver alguém ser agredido e não fazer nada” – Elsa Guerra

Elsa Guerra nunca vai esquecer o dia 21 de Março de 2021. O telefonema que recebeu e a ida para Lisboa, “sempre com medo de não chegar a tempo de ver o nosso menino”.

Aos vinte e seis anos de idade, Fábio Guerra não resistiu às agressões de que foi alvo no exterior de uma discoteca, em Lisboa.

Era agente da Polícia de Segurança Pública. Nessa noite, não estava de serviço.

Depois de conhecida a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, de absolver do crime de homicídio qualificado, um dos três condenados pela morte de Fábio Guerra, a Beira Baixa TV conversou com a mãe, Elsa Guerra, que afirma que a família irá lutar por justiça “até ao fim”.

BBTV – Qual o sentimento, enquanto mãe, depois conhecida a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa?

Elsa Guerra – “Revolta, mágoa e uma enorme injustiça”.

BBTV – Face a esta decisão, a família pensa agir judicialmente?

Elsa Guerra – “O advogado da família está a tratar do assunto”.

BBTV – Afirmou que acreditavam na justiça. Deixaram de acreditar?

Elsa Guerra – “Não. Ainda acreditamos que seja feita justiça”.

BBTV – Como a família tem vivido estes mais de quatro anos de luto?

Elsa Guerra – “Anos de dor e sofrimento, de saudade, na esperança que o Fábio ainda nos entre pela casa a dentro, com o seu sorriso e boa disposição”.

BBTV – O dia 21 de Março de 2021 foi o pior dia das vossas vidas? O que recorda?

Elsa Guerra – “O pior dia das nossas vidas.
Recordo o telefonema da ida para Lisboa, sempre com medo de não chegar a tempo de ver o nosso menino. Mas sempre com esperança que o Fábio ia ficar bem, mesmo sabendo que o prognóstico era muito reservado”.

BBTV – A forma como morreu demonstra como era o seu carácter?

Elsa Guerra – “Fábio, menino doce e meigo, sempre disposto a ajudar os outros. Tanto lhe pedia, se não estivesse de serviço para não agir, mas eu sabia que não ia acontecer, pois ele não conseguia ficar indiferente e ver alguém ser agredido e não fazer nada”.

BBTV – Quem foi o Fábio Guerra, para além do polícia? Quem era este filho, este irmão, este tio?

Elsa Guerra – “O meu, o nosso menino que punha a família, sempre, em primeiro lugar.
Aquele que estava sempre ali para mim, para nós, o amor puro e sincero, que tinha sempre um gesto, uma palavra, um carinho, o meu menino que telefonava todos os dias, várias vezes, para saber como estávamos. Mano babado, maluco pelas irmãs, sempre preocupado, irmão sempre presente.
As folgas eram, quase sempre, passadas conosco. Amigo, alegria, amor, dedicação, genuíno, com um coração enorme.
Não existem palavras suficientes que descrevam o Fábio como filho, irmão, tio, neto, amigo”.

BBTV – Ainda lhe escreve, todos os dias?

Elsa Guerra – “Sim”.

BBTV – O que lhe diria hoje, se pudesse?

Elsa Guerra – “Que tenho saudades dele, que o Amo muito e vou amar sempre 💕”.

BBTV – Onde querem levar a causa do Fábio?

Elsa Guerra – “Até ser feita justiça. Vamos lutar até ao fim”.

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