Os hábitos de leitura dos portugueses estão a mudar. De acordo com o estudo “Hábitos de Compra e Leitura em Portugal”, realizado pela GfK e apresentado esta quarta-feira pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) na conferência BOOK 2.0 – O Futuro da Leitura, em Lisboa, a leitura ganhou espaço no quotidiano, mas a compra de livros recuou.
Em 2024, 76% dos portugueses declarou ter lido pelo menos um livro, mais do que em 2023. No entanto, a média de livros lidos caiu para 5,3 e o número de exemplares comprados por leitor desceu para 3,9, face aos 4,8 do ano anterior.
Os dados revelam que os jovens adultos (25-34 anos) são o grupo que mais lê, com 91% a declarar ter lido em 2024. Seguem-se os adultos entre os 35 e os 54 anos (86%). A faixa dos 15-24 anos destacou-se pelo maior crescimento, passando de 58% para 76% de leitores num ano. Já os portugueses com mais de 75 anos continuam a apresentar os níveis mais baixos de leitura.
Cerca de 60% dos portugueses com 15 ou mais anos incluem a leitura entre as suas actividades de lazer preferidas, as mulheres (64%) mais que os homens (54%), e com maior frequência entre os 35 e os 54 anos (71%).
Entre os que não leem, as justificações mais comuns são falta de interesse (46%), falta de tempo (39%) e a preferência por outras formas de lazer (35%). 40% dos inquiridos que revelaram não ter hábitos de leitura considera que a escola deveria ter um papel central no incentivo à leitura dentro de casa.
Relativamente às preferências literárias, o romance mantém-se como o género literário favorito dos portugueses (66%), seguido pelo policial e pelo romance histórico (45% cada), e pela literatura infantojuvenil (40%).
Apesar do avanço do digital, a preferência pelo livro em papel continua dominante (92%), embora com ligeiro recuo face a 2023 (93%). Entre os mais jovens (15-24 anos), o número baixa para 84%.
Apesar da diminuição no número de livros comprados por leitor, o mercado livreiro movimentou mais dinheiro em 2024. Segundo a interpretação da APEL, os dados sugerem que há uma maior concentração de compra de livros num menor grupo de leitores.
Fonte: Público
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