Rosário Bello leva “Castelo Branco em chita com arte” ao Concurso Vestidos de Chita
O Concurso Vestidos de Chita, que regressou este ano ao Parque da Cidade de Castelo Branco após quase três décadas de ausência, contou com a participação de um vestido assinado pela artista plástica Rosário Bello.
A peça, intitulada “Castelo Branco em chita com arte”, foi integralmente concebida e executada pela artista, que criou o croqui, desenvolveu os moldes, costurou e pintou manualmente o vestido.
Aliando a formação em modelagem e bordado à máquina aos conhecimentos de costura transmitidos pela mãe desde os seus seis anos de idade, a artista desenvolveu um vestido “com o intuito de promover o bordado da cidade de Castelo Branco numa ideia com arte de autoria, para um futuro padrão na chita com estes motivos alusivos à cultura de uma cidade”.
A parte superior do vestido remete para o cravo estilizado, decorado com pérolas e galão em tons de dourado antigo. Já a saia franzida apresenta um padrão pintado à mão, em tons de azul suave, criado pela autora numa homenagem minuciosa à identidade cultural da cidade. A peça serve não só para complementar o vestido e respeitar os padrões tradicionais da chita, como também pode ser utilizada como capa nos dias e noites mais frios.
Embora a artista não tenha podido estar presente no desfile, Anabela Dias esteve em sua representação, e o vestido foi apresentado em palco pela modelo Erica Louro.
Um percurso de vida ligado à costura e ao têxtil
Desde cedo, Rosário Bello revelou paixão pelas artes têxteis. Aos seis anos, aprendeu com a mãe a bordar diferentes técnicas tradicionais, incluindo o bordado típico da sua terra natal, Nisa, além da execução de bilros e da costura à máquina de pedal. Mais tarde, durante a juventude em Vila Velha de Ródão, frequentou as aulas de bordado com D. Helena, a quem presta homenagem e agradece pelo tempo dedicado a ensinar tantas jovens.
O seu percurso formativo inclui o Curso de Bordado à Máquina da marca OLIVA, frequentado ainda em jovem, e o Curso de Modelagem no IEFP em Castelo Branco, onde desenvolveu competências para criar os moldes dos modelos que idealizava, entre outras aprendizagens. Com o primeiro salário, na fábrica de confecções Camilla, em Castelo Branco, comprou a sua primeira máquina de costura elétrica, que lhe permitiu dar continuidade às criações próprias.
Rosário Bello trabalhou também na Dielmar, em Alcains.
A sua criatividade levou-a ainda a participar em concursos de design de moda, incluindo um realizado em Lisboa. Há muitos anos, na Casa das Artes de Vila Velha de Ródão, teve oportunidade de participar num desfile de roupa, onde as peças que apresentou foram criadas e pintadas por si.
Chegou mesmo a ser convidada em Paris para lançar o seu nome como marca, com peças pintadas de sua autoria — convite que declinou por querer manter a sua arte e identidade ligadas a Portugal.




