A organização ambientalista sem fins lucrativos Rewilding Portugal manifestou uma “oposição firme e fundamentada” ao projeto da Central Solar Fotovoltaica SOPHIA, bem como às Linhas de Muito Alta Tensão associadas, atualmente em consulta pública.
Embora a organização reconheça “a urgência e a importância da transição energética”, considera que “o projeto em causa não cumpre critérios mínimos de sustentabilidade territorial, ecológica e social”, apresentando “impactos significativos e irreversíveis” para a biodiversidade, para a paisagem rural da Gardunha e para as comunidades “que têm vindo a investir na regeneração ecológica e no turismo de natureza”. Além disso, afirmam que “as medidas de
mitigação e compensação apresentadas são insuficientes e não respondem à escala dos danos previstos”.
Segundo dados do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), citados pela associação, a central ocupará mais de 3.500 hectares, incluindo 434 hectares impermeabilizados por painéis solares e infraestruturas, bem como duas linhas de muito alta tensão (400 kV), com cerca de 22 km cada, para ligação à subestação do Fundão.
O projeto intercepta zonas classificadas, como a Zona Especial de Conservação da Serra da Gardunha, a Área de Paisagem Protegida Regional da Serra da Gardunha e o limite sul do projeto aproxima-se também do Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO. Além disso, o estudo regista 231 espécies de vertebrados na área em causa — 30 delas ameaçadas — incluindo a cegonha-preta, o abutre-preto e a águia-imperial-ibérica.
A Rewilding critica ainda o abate de azinheiras e sobreiros e afirma que as medidas de compensação propostas, como a conversão de 135 hectares de eucalipto em azinheiras e sobreiros, num total de 228 hectares de compensação ecológica, não demonstram ganhos líquidos de biodiversidade e não eliminam a perda irreversível de habitats locais”.
A Rewilding acusa ainda o processo de “falta de transparência” e defende que rejeitar o projeto “não é rejeitar energia solar”, mas exigir “um planeamento responsável, transparência e justiça ecológica”.
Assim, propõem “ao Governo e às entidades competentes que promovam: o mapeamento de áreas artificializadas disponíveis para este tipo de instalações; incentivos fiscais robustos à colocação de painéis em edifícios públicos, logísticos e industriais; e a criação de um programa de Transição Energética com Natureza, que assegure que cada megawatt produzido contribui também para restaurar ecossistemas, e que é produzido sem os colocar em causa”. E reforça o alerta: “Se o preço a pagar é a biodiversidade, não lhe chamem energia verde.”
