Câmara de Castelo Branco contesta classificação da ULS na nova Rede de Referenci

Câmara de Castelo Branco contesta classificação da ULS na nova Rede de Referenci

Câmara de Castelo Branco contesta classificação da ULS na nova Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria

A Câmara Municipal de Castelo Branco manifestou a sua oposição à proposta da nova Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria, tornada pública no passado dia 27 de outubro. A proposta, validada pela ministra da Saúde antes das últimas eleições autárquicas, coloca a Unidade Local de Saúde (ULS) de Castelo Branco no nível Ib, o quarto dos cinco possíveis.

De acordo com a autarquia, esta classificação deixa a ULS de Castelo Branco atrás da ULS Cova da Beira — classificada como IIa — e abaixo de várias unidades da região Centro, como as ULS de Aveiro, Leiria, Viseu Dão Lafões e Coimbra. Apenas a Figueira da Foz e a Guarda partilham, nesta fase, o mesmo nível Ib, sendo que a ULS Guarda poderá vir a subir para IIa após reclamação apresentada, o que deixaria Castelo Branco e Figueira da Foz isoladas no nível mais baixo da região.

A autarquia considera que esta proposta, caso seja implementada, significará tornar o Hospital Amato Lusitano “numa unidade de saúde de segunda categoria, a nível pediátrico”, com implicações diretas em futuros financiamentos, perda de valências e “um duro golpe” no acesso a cuidados de saúde especializados para as populações de Castelo Branco e concelhos vizinhos.

A ULS de Castelo Branco já expressou publicamente a sua discordância, defendendo que a classificação Ib “não corresponde à realidade assistencial, técnica e organizacional da instituição”, nem reconhece “o investimento contínuo realizado na qualificação dos serviços e que é merecedora de uma classificação num nível acima”.

A Câmara Municipal expressou total apoio à posição do Conselho de Administração da ULS, sublinhando que a definição da rede de oferta de serviços de saúde “não é uma questão estritamente técnicatécnica, devendo orientar-se, não só pela realidade existente em determinado momento, mas pela realidade que se quer construir e projetar para futuro, assim como pelos objetivos políticos a atingir, como sejam a coesão social e territorial, perspetivando a evolução da rede no médio e longo prazo e procurando criar dinâmicas de evolução e sustentabilidade em vez de ir a reboque de ciclos viciosos de desertificação e desinvestimento que urge inverter”.

A autarquia afirma que esta decisão é “política” e responsabiliza diretamente o Governo, a Ministra da Saúde e o Primeiro-Ministro, pedindo que não se “escondam atrás de quaisquer supostos critérios técnicos”.

A Câmara exige que a ULS de Castelo Branco seja reclassificada para o nível IIa e apela ao Governo que “dote, de futuro, a ULS de Castelo Branco de todos os recursos, humanos, técnicos e financeiros, para que possa assumir plenamente o seu papel de hospital de referência e que preste um serviço de excelência à população”.

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