Castelo Branco

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Dia Internacional do Voluntário – Cruz Vermelha Portuguesa

“Não estamos aqui para a instituição enriquecer” – Íria Moura

É um dos sete Princípios Fundamentais do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho: o Voluntariado.

Os Voluntários são considerados “o coração da Instituição”, simbolizam o verdadeiro “Poder da Humanidade”.

No Dia Internacional do Voluntário, que se assinala esta sexta-feira, dia 5 de Dezembro, a Beira Baixa TV entrevista a Coordenadora Local Adjunta da Delegação de da Cruz Vermelha Portuguesa, Íria Moura.

Íria Moura tem 52 anos de idade.

Estava prestes a fazer 18 anos, quando pisou o chão da Delegação de da Cruz Vermelha Portuguesa, e se tornou Voluntária.

Ciente do propósito da Cruz Vermelha Portuguesa foi, movida pelo espírito de entreajuda, que decidiu enveredar pelo mundo do Voluntariado: “o intuito do Voluntariado na Cruz Vermelha é ajudar desinteressadamente e em prol daqueles que mais necessitam. Foi esse o meu intuito”.

E já lá vão 35 anos desde que a missão da Cruz Vermelha Portuguesa se transformou na sua própria missão de vida.

Todas as missões que abraça, por envolverem o Voluntariado em prol da comunidade têm, para Íria, o mesmo nível de importância: “não consigo destacar uma específicamente, porque todas elas são importantes, quem vai para Voluntário não pode pensar que uma atividade é mais importante, um sentido, todo o serviço é importante e todo ele merece de nós, o melhor”.

Ao longo de mais de trinta anos a vestir a camisola, têm sido muitos os momentos marcantes, mas a Coordenadora destaca todas as situações onde os protagonistas são pessoas com vulnerabilidades: “sejam elas emocionais, a nível de saúde, a nível psicológico, sempre que envolve pessoas, nomeadamente, crianças e idosos, os extremos das idades são sempre situações preocupantes e que nos marcam sempre”.

Casos de famílias desestruturadas, situações de emergência social, situações de violência doméstica deixam marcas em quem as vive, na primeira pessoa, mas também na pele destes Voluntários.

Sem revelar as identidades em questão, Íria recorda um caso em particular, uma situação de acolhimento de uma mãe e duas crianças, uma delas, recém-nascida que, recorda: “nasceu sem termo, porque se tivesse nascido na data prevista, teria sido no dia em que a fomos buscar; foi uma situação muito complicada, porque a senhora já tinha mais duas crianças referenciadas e institucionalizadas, tinha aquelas duas com ela; a mais velha, com dez anos, não sabia comer de faca e garfo, não havia apoio, suporte familiar, apesar de estarem com a mãe”.

Boa-vontade e vontade de ajudar o próximo são as principais características que fazem um bom Voluntário, na opinião de Íria:”não pensar que o Voluntariado o vai enriquecer, vai enriquecer só num sentido, no sentido de valorização enquanto pessoa desinteressada, interessada apenas em fazer o bem”.

Aqui, a máxima de: “fazer o bem pelo bem, sem olhar a quem”, é ofício diário, até porque a recompensa é outra e maior: “a maior reconpensa para um Voluntário é o sorriso de quem ajudamos”.

Sobre se o Voluntariado também precisa, ele próprio, de ajuda, a resposta é incisiva: “as instituições não nadam em dinheiro. Uma instituição como a Cruz Vermelha Portuguesa, não governamental, sem fins lucrativos, não estamos aqui, nem sequer para a instituição enriquecer mas para, pelo menos, conseguir fazer face às necessidades e de forma a angariar verbas para valorizar os serviços que possa vir a prestar à população”.

Sobre se o Voluntariado precisa de voluntários, Íria é peremptória na resposta: “precisa, sem dúvida que sim, o futuro passa por ter mais Voluntários que queiram compartilhar essa boa vontade e ajuda ao próximo”.

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