“A cereja vende-se sozinha”
No âmbito da iniciativa “Covilhã Natal com arte”, que acontece na cidade da Covilhã, para celebrar a época de Natal, o Mercado Municipal abre portas aos sabores tradicionais, nos sábados do mês de dezembro.
O primeiro produto a ser promovido foi a Cereja e a Beira Baixa TV esteve à conversa com a Confraria da Cereja de Portugal e alguns produtores ligados a este produto.
BBTV – A Confraria da Cereja é de onde e como nasceu?
Telma Madalena – A Confraria da Cereja nasceu em 2006, na Cova da
Beira. Tivemos o primeiro capítulo em Castelo Novo, no entanto a sede é na vila do Ferro (Covilhã).
Funcionamos numa política um bocadinho diferente das outras confrarias, já que, o que interessa é termos de facto, confrades produtores, relacionados com a promoção da cereja, quer em termos alimentares (cereja, licores, bombons), ou com o turismo da cereja, ou com a cereja na área da saúde.
BBTV – Por onde estão espalhados?
Telma Madalena – Temos confrades desde Resende, Alfândega da Fé, Proença-a-Nova, portanto, todas as regiões do país relacionadas com a cereja. Por isso é a Conferaria da Cereja de Portugal.
BBTV – E quem é que pode integrar, então, a Confraria?
Telma Madalena – Portanto, toda a gente que promova a cereja, de alguma forma, ou que esteja relacionada com esse produto. Porque a cereja pode-se aproveitar, desde a madeira da cerejeira, ou o caroço da cereja para almofadas para saúde, para dores, ou aquelas almofadas que se aquecem em microondas, para ajudar também no combate às dores.
Ou, então, simplesmente gostar de uma cereja, que toda a gente gosta, não existe ninguém que não goste de cereja.
BBTV – Qual a importância de estarem hoje aqui no Mercado da Covilhã, mesmo não sendo época da cereja?
Telma Madalena – Aceitamos o convite do Município da Covilhã para vir divulgar o produto nas vertentes que poderá ser… Que é possível nesta altura, quer os chocolates, quer os licores, quer o doce de cereja, quer também a parte turística. Como já referi, temos uma Confraria com Turismo Rural, e aí é logo diferente e com um vasto leque de ofertas.
Para nos explicar um pouco mais sobre a vertente do turismo rural e a cereja, falamos com Sandrina Melfe, que detém um alojamento local nos limites das freguesias do Ferro e Peraboa, no concelho da Covilhã.
BBTV – Qual a importância de promover também a cereja no setor do turismo?
Sandrina Melfe – A cereja é extremamente importante, é um setor que atrai muita gente pelo fruto em si. Nesta altura do ano, não tendo fruto fresco, trazemos a nossa compota. No nosso alojamento servimos a compota com mais diversos produtos.
BBTV – Então quer dizer que se vende cereja e promove-se o ano todo?
Sandrina Melfe – O ano todo, sim. Claro que depois dos meses de maio e junho é loucura. As pessoas vêm. Nós temos um programa fantástico que permite que as pessoas comam a cereja diretamente da árvore e isso tem-nos trazido imensos turistas e hóspedes. No nosso caso temos o alojamento para ficarem hospedados na nossa quinta.
BBTV – Como é que integrou a equipa?
Sandrina Melfe – Foi a convite de um confrade próximo, muito próximo da família e que viu que teria o perfil certo e revejo-me nesta posição.
BBTV – Disse que a “cereja vende sozinha”. O que é que quer dizer com isso?
Sandrina Melfe – A cereja é um fruto que vende pelos olhos e não conheço praticamente
ninguém que não goste de cereja.
Numa época em que o chocolate é muito consumido e procurado para oferta nas festas, uns bombons com recheio de cereja podem ser uma boa opção. Luis Martins, veio de Alcongosta para apresentar a sua sugestão.
BBTV – É produtor de cereja. Mas nas alturas que não há que tipo de produtos comercializa?
Luís Martins – Juntamente com a minha esposa, somos produtores de cereja e surgiu-me de uma ideia assim que, sei lá, acho que faltava qualquer coisa com cereja. Olha, começamos a brincar com esta coleção de cinco bombos. Começamos a fazer cinco bombos, que é o chocolate negro com cereja e licor; chocolate de leite; chocolate negro com imitação de pezinho da cereja; outro relacionado com a cestaria que é outro produto de Alcongosta e um em forma de oriço, para lembrar a Serra da Gardunha.
BBTV – O negócio está a correr bem?
Luís Martins – Sim, felizmente está a superar as expectativas que a gente
teve. É o que importa. E teremos novidades em breve.
Em representação da Câmara Municipal da Covilhã, esteve a vereadora Regina Gouveia, que questionada sobre o impacto desta iniciativa, referiu que “não há melhor altura do ano, que o Natal, para promover o que é nosso, mesmo como o caso da cereja, não sejam produtos da época, pois como observamos conseguimos fazer muito mais do que o produto original, adaptando às diferentes épocas do ano”.
BBTV – A iniciativa é para continuar?
Regina Gouveia – Claro que sim, e pretendemos estender este convite a mais produtores do concelho e da região, pois sabemos que muitos segredos estão por aí escondidos e precisam de ser conhecidos e valorizados, como é o caso do senhor Luis”.
Recordar que a iniciativa “Sabores tradicionais”, vai prosseguir todos os sábados, no Mercado Municipal da Covilhã, seguindo-se a promoção da cherovia, do pastel de molho da Covilhã e do pêssego, respetivamente.
