Com o aproximar da época de Natal e mesmo com a expansão da rede de hipermercados, ainda são muitos aqueles que vão até à Praça Municipal do Fundão para vender e comprar os produtos da terra.
Embora feriado, no dia 8 de dezembro, o mercado semanal do Fundão e a Praça abriram as portas aos produtores locais. São estes que ainda sustentam a economia do concelho Fundanense em termos agrícolas.
Embora não muito habituado a estas andanças, Afonso está a ajudar na banca de queijos, onde o da Soalheira domina o cenário. Afonso organiza cuidadosamente cada peça. A variedade vai dos curados mais intensos aos amanteigados, passando pelo da Serra, todos preparados de forma tradicional.
“Nesta altura do ano, muitas famílias procuram o sabor tradicional. Preferem pagar um pouco mais, mas terem um produto de qualidade”. Há quem esteja só de passagem e leve logo o queijo”, explica o produtor, enquanto nos explicou a variedade de queijos. A procura, diz, aumenta significativamente em dezembro, motivada pela vontade de manter vivas receitas, mas principalmente porque muitos não dispensam o queijo à mesa da Consoada.
Mesmo ao lado está a Dona Maria, do Fundão, que é presença habitual na Praça com as suas frutas. Agora é altura das maçãs, peras e algumas romãs. Os produtos vêm diretamente da horta que cuida e mantém há décadas.
Com os seus quase 80 anos, a Dona Maria explica que muitas pessoas procuram as frutas para o seu dia a dia, já que estas serem mesmo biológicas, ou seja sem químicos, mas também “há pessoas que procuram a fruta para sobremesas ou doces”, como o caso das peras, para compotas.
Embora estejam praticamente todas as segundas-feiras e sábados na Praça do Fundão, o impacto ainda se sente mais em épocas festivas, como o caso do Natal, sendo que comprar nestes locais com história é também apoiar a agricultura regional e os pequenos negócios familiares.
Como Afonso e Maria, muitos são aqueles que fazem a venda dos seus produtos, ajudando a economia local a ter alguma expressão.
O Município do Fundão apoia também os produtores, proporcionando bancas aos vendedores e condições para que possam escoar os seus produtos, mas também dando apoio à agricultura local e sustentável, alinhando-a às novas tecnologias, mas mantendo sempre a tradição das gentes da Cova da Beira.
