Luís Montenegro confirma parecer negativo da APA ao projeto da central solar Sophia
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, confirmou esta quarta-feira que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) emitiu um parecer negativo à atual formulação do projeto da central solar Sophia, prevista para os concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova.
A confirmação surgiu durante a reunião plenária da Assembleia da República de debate com o primeiro-ministro, na sequência de uma questão colocada pela deputada Inês de Sousa Real, líder do PAN.
Embora o debate parlamentar tenha sido marcado sobretudo pelo tema das eleições presidenciais, a deputada do PAN procurou recentrar a discussão nas políticas ambientais. “Mudando o assunto para as políticas que interessam ao país — porque os portugueses lá em casa não querem com certeza um debate em torno das presidenciais — queria falar-lhe noutra neutralidade, que é a neutralidade climática”, afirmou, confrontando o primeiro-ministro com declarações do próprio na COP30 sobre a preservação da biodiversidade e do equilíbrio ambiental: “tudo aquilo que fizermos a favor da preservação da biodiversidade, seja em que parte do planeta for, terá repercussão nas nossas vidas”.
“Pegando nas suas próprias palavras, queria colocar-lhe duas questões muito simples”, continua. “A primeira, em relação à Lei de Bases do Clima (…), depois em relação à central Sophia que é tudo menos aquilo que é a política verde. Que palavra é que tem a dizer à Beira Baixa, que neste momento está em avaliação da APA o projeto?”, termina ao ver a sua intervenção interrompida por exceder o tempo.
Em resposta, Luís Montenegro esclareceu que o projeto não obteve luz verde da entidade ambiental. “Relativamente à questão da central Sophia, a informação que tenho é que mereceu um parecer negativo da APA e, portanto, terá de ser reapresentado com outra formulação”, afirmou.
Apesar de ainda não ser conhecido qualquer despacho oficial da Agência Portuguesa do Ambiente, a empresa promotora, a Lightsource bp, já tinha anunciado a intenção de reformular o projeto. A decisão terá por base o parecer da comissão de avaliação, o relatório da consulta pública e um processo de escuta ativa junto das populações do território abrangido.
Foto: Lusa
