ULS da Cova da Beira realiza pela primeira vez reparação percutânea da válvula mitral
A ULS da Cova da Beira realizou, no passado 29 de janeiro, o primeiro procedimento de reparação percutânea da válvula mitral na instituição, um marco na diferenciação clínica da Unidade de Intervenção Cardiovascular.
Trata-se de uma técnica avançada e minimamente invasiva, que permite corrigir a insuficiência mitral através de acesso por cateter, com recurso a um sistema em formato de clip, evitando a necessidade de cirurgia cardíaca aberta. Este procedimento está indicado para doentes que não reúnem condições para cirurgia convencional, permitindo restaurar a função da válvula e melhorar de forma significativa o estado clínico.
Segundo o responsável pela Unidade de Intervenção Cardiovascular, Marco Costa, a introdução progressiva de novos procedimentos minimamente invasivos tem permitido alargar substancialmente as opções terapêuticas, sobretudo para doentes com patologia cardiovascular complexa e elevado risco cirúrgico. Estas abordagens possibilitam intervenções mais seguras, menos agressivas, com redução do tempo de internamento e recuperação mais rápida, traduzindo-se em ganhos clínicos relevantes e melhoria da qualidade de vida.
O responsável sublinhou ainda que a concretização deste tipo de procedimentos resulta de um trabalho contínuo de preparação clínica, investimento em tecnologia, formação especializada das equipas e de uma rigorosa articulação multidisciplinar, destacando que “a segurança do doente constitui sempre o principal critério na introdução de novas técnicas, sendo cada caso cuidadosamente avaliado”.
O cardiologista salientou também a importância estratégica de permitir que estes tratamentos avancem na própria instituição, evitando deslocações para outros centros hospitalares, garantindo maior proximidade às famílias, continuidade de cuidados e uma resposta mais célere às necessidades da população da região.
A Unidade de Intervenção Cardiovascular assinala, no próximo 1 de fevereiro, o seu segundo ano de funcionamento, com um balanço considerado muito positivo. De acordo com Marco Costa, foi possível consolidar a experiência do centro, contando atualmente com uma equipa interna em formação avançada, que realiza de forma ativa grande parte dos procedimentos.
Entre janeiro de 2025 e o presente mês, foram realizadas cerca de 500 angioplastias, números que evidenciam a relevância da unidade para toda a Beira Interior. Paralelamente, registou-se a introdução dos primeiros procedimentos estruturais, valvulares e não valvulares, refletindo a evolução da cardiologia de intervenção para além da intervenção coronária.
O diretor do Serviço de Cardiologia da ULS da Cova da Beira, Luís Oliveira, destacou a evolução sustentada do serviço, assente na modernização clínica, investimento tecnológico e valorização contínua dos profissionais, fatores determinantes para o reforço da qualidade e segurança dos cuidados prestados.
Luís Oliveira sublinhou ainda a importância da articulação entre o Serviço de Cardiologia e a Unidade de Intervenção Cardiovascular, enquanto elemento-chave para uma abordagem integrada e centrada no doente, bem como a aposta na prevenção, acompanhamento continuado e proximidade como eixos estratégicos da resposta assistencial.
O responsável reafirmou, por fim, o compromisso do Serviço de Cardiologia com a inovação, formação especializada e humanização dos cuidados, garantindo a prestação local de cuidados altamente diferenciados em benefício da população da região.
