D. Pedro Fernandes, Bispo de Portalegre-Castelo Branco, defendeu a valorização da diversidade e o compromisso missionário dos cristãos durante a homilia celebrada a 31 de maio, no Recinto de Oração do Santuário de Fátima.
As palavras do prelado destacam a visão cristã de um Deus “uno e trino”, considerando que “unidade e diversidade não se opõem, antes implicam-se” e alertando para os riscos da polarização e da violência que marcam a sociedade contemporânea, defendendo o diálogo e a construção de pontes entre pessoas e comunidades.
“Quando acolhemos a boa nova de que Deus é amor, uno e trino, então percebemos que somos amados, acolhidos por este Deus que a todos nos une e, de tantos e tão diferentes, nos faz ser um só corpo. Não porque anula as diferenças, isso seria uma violência impossível ao Deus de misericórdia, mas porque coloca as diferenças em relação positiva e construtiva. O rosto trinitário de Deus e a nossa fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo contrastam com os modelos polarizados e violentos que parecem prevalecer hoje neste nosso mundo contemporâneo. Neste, as diversidades entre pessoas, grupos e povos são usadas tantas vezes como pretexto para levantar muros, inventar preconceitos e avolumar violência, em vez de serem acolhidas como material de construção de um mundo em que as diversidades concorrem para a complementaridade e para a unidade no diálogo”, disse.
D. Pedro Fernandes sublinhou ainda que todos são protagonistas da missão da Igreja, seguindo o exemplo de Cristo. “Como dizia o Papa Francisco, somos missão. O nosso compromisso na Igreja não é propriamente apenas o de sermos colaboradores dos ministros ordenados, dos diáconos, dos padres, dos bispos, mas de sermos todos seguidores do único missionário, que é Cristo. Todos protagonistas da missão, cada um segundo o dom do Espírito que recebeu.”
Referindo-se aos mais frágeis e excluídos, apelou a uma maior atenção aos pobres e vulneráveis, afirmando que “o nosso centro é a periferia, aí onde Deus mora”. “Quando os frágeis e os mais pobres são descartados ou ignorados por uma economia que mata, porque apenas se alimenta da lógica capitalista que desvaloriza as pessoas, os cristãos põem no centro o Deus de Jesus Cristo, que se identificou com todos, especialmente com os mais frágeis. O nosso centro é a periferia, aí onde Deus mora.”
Por fim, reforçou que na Igreja “não há filhos e enteados”, defendendo uma comunidade que acolhe a diferença como fundamento da unidade e que procura “vencer a violência com a mansidão, o descarte com a hospitalidade, o preconceito com a valorização de todos”.
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