Póvoa Palhaça

Póvoa Palhaça

Que história conta este nome?

O topónimo de uma terra, ou seja, o nome de uma terra, é a certeza da sua continuidade.
Cada topónimo transporta um legado, que atravessa o tempo e projeta esse lugar para o futuro.
Os topónimos são testemunhos vivos da história e da relação entre as comunidades e o território.
Funcionam como um arquivo vivo da história.

A Beira Baixa TV parte numa aventura à redescoberta do significado, intrínseco, dos nomes das terras.
Lugares que conservam no seu nome, a memória da sua origem, construída ao longo dos séculos.

É considerado um nome incomum e peculiar.
é um lugar da antiga Freguesia de Vale de Prazeres, atualmente pertencente à União das Freguesias de Vale de Prazeres e Mata da Rainha, no Concelho do Fundão, Distrito de Castelo Branco.
Tem uma vista privilegiada e estratégica sobre a planície da Beira Baixa que permite avistar, ao longe, a icónica aldeia histórica de Monsanto.

A Beira Baixa TV recorreu ao Museu Arqueológico Municipal José Alves Monteiro, no Fundão, para saber a origem deste curioso topónimo.
Mas antes, Pedro Salvado, o seu diretor, começa por dar a conhecer que a toponímia é mais do que a ciência que estuda o nome dos lugares: “constitui um património que ainda hoje identifica os espaços do nosso quotidiano…contudo, os topónimos são também um registo do tempo e, muitas vezes, o seu significado original deixou de ser evidente ou passou a ser associado a imagens que não correspondem à realidade histórica que esteve na sua génese”.

É o caso de , cujo topónimo é composto por dois elementos distintos: Póvoa e Palhaça, com o primeiro a vencer na antiguidade: “designa um pequeno núcleo de povoamento, estando frequentemente associado aos primeiros processos de ocupação e fixação das populações nesta região, muito provavelmente, durante os inícios da Idade Média”, explica Pedro Salvado.

Já Palhaça, nada tem a ver com o universo circense. Preserva antes a memória de uma característica construtiva que, em tempos, terá marcado o lugar: “não se refere a qualquer figura ou personagem, como o uso atual da palavra poderia sugerir. O termo designava um tipo de cobertura de telhados feita com palha, uma técnica tradicional utilizada em construções rurais”, esclarece o diretor do Museu Arqueológico Municipal do Fundão.

tem, atualmente, cerca de 50 habitantes recenseados, aos quais se juntam cerca de 20 habitantes não recenseados, entre cidadãos portugueses e membros da comunidade estrangeira que residem na serra e periferia da aldeia. Curiosamente, conta com um elevado número de crianças, cerca de 18, com idades compreendidas entre os 3 e os 17 anos de idade que vivem na .

Números que aumentam durante os fins-de-semana, com a chegada de muitos familiares, sobretudo de pessoas que trabalham ou residem fora do Concelho do Fundão, mas que mantêm uma forte ligação à terra e à sua comunidade.

Era o caso de Carmen Curralo Macedo, de 41 anos de idade, antes de ter decidido mudar-se “de armas e bagagens”, naquele 31 de agosto, há oito anos atrás, chegada de França: “quando foi altura de decidir voltar, viemos para aqui ao invés de irmos para a confusão da cidade, já nos fazia muita confusão o trânsito, foi na altura em que o turismo começou a ser em massa, quando íamos de férias para o Porto, sentiamo-nos abafados”.

A casa dos avós (o avô natural da Mata da Rainha e a avó, de Martianas, Orca), em , esperava Carmen e a família, que ali encontraram mais do que um lugar, um modo de vida: “paz, sossego, não há barulho, é tudo calminho, as pessoas conhecem-se bem umas às outras, nesta altura, as vizinhas vêm bater-me à porta para me darem uns tomatinhos fresquinhos, umas alfaces, a ajuda entre a comunidade funciona e as pessoas dão-se todas bem”.

Quando regressou, Carmen encontrou um lugar onde o tempo parece não ter passado. E isso, não representa só vantagens: “desde que me lembro de ser gente, que a estrada é a mesma, não há saneamento básico “.

Do alto da sua casa, Carmen consegue avistar Monsanto: “subindo um bocadinho a serra, as vistas são muito bonitas”. O isolamento provocado pelos pinhais e formações rochosas que rodeiam é, em simultâneo, um dos fatores que torna este lugar único.

Podem não saber a origem do lugar onde vivem, como é o caso de Carmen, que só sabe as histórias que o avô lhe contava acerca da origem do nome Mata da Rainha: “uma história de reis e rainhas e princesas degoladas”.

Mas aqui, não há habitante que não conheça as Pedras dos Olhos, um conjunto de rochedos tradicionais que fazem parte da micro geografia local e da memória coletiva do povo.

Também não há habitante que não conheça José Belmiro e Maria Alice, proprietários do Café Central, o único café/supermercado deste lugar. Tal como o nome indica, situa-se no centro da , no Largo do Reduto. Ele tem 86 anos, nascido e criado na , ela tem 81 anos.

A filha, Glória Rocha, teme o dia em que, inevitavelmente, depois de cerca de 45 anos aberta, a porta terá de ser fechada porque, mais do que um estabelecimento, representa um importante espaço de encontro e de convívio entre os habitantes: “vão conversando, é tudo família nesta terrinha, um lugar tranquilo onde não se passa nada”.

O bilhete de identidade atual e fidedigno de é feito à Beira Baixa TV por Paulo Boavida, Presidente da União das Freguesias de Vale de Prazeres e Mata da Rainha: “a população local está muito ligada às atividades tradicionais, sendo, predominantemente, agrícola e pecuária”.

Pedro Boavida sublinha que se trata de uma comunidade com uma idade média bastante elevada, embora existam também alguns casais mais jovens, pertencentes à geração dos anos 80/90, que continuam ligados à aldeia.

Uma das principais celebrações da aldeia e que constitui também um importante momento de reencontro entre famílias e amigos, é a Festa em honra de Nossa Senhora das Dores: “este ano, a festa realizou-se nos dias 30 e 31 de maio, reunindo a população residente e muitos naturais da que vivem, atualmente, noutras localidades”, realçou o Presidente sobre as tradições e a vida comunitária.

Relativamente ao património arqueológico, Paulo Boavida destaca o Castro da Covilhã Velha: “O Castro terá tido origem na Idade do Ferro, sendo atribuído aos povos lusitanos, tendo, posteriormente, sido reaproveitado e reocupado, durante a Idade Média, período em que terá sido erguida uma fortaleza militar, aproveitando parte das estruturas e pedras existentes. No local, podem ainda observar-se vestígios de uma dupla cintura de muralhas, de formato ovalado, bem como vários amontoados de cantaria e alvenaria”.

Apesar da reduzida população e das dificuldades que ainda enfrenta, ao nível das infraestruturas e dos serviços essenciais, o Presidente da União das Freguesias de Vale de Prazeres e Mata da Rainha considera que “continua a preservar uma forte identidade, marcada pela agricultura, pela atividade pecuária, pelas tradições religiosas, pelo património histórico e arqueológico, mas sobretudo pela ligação das suas gentes à terra e à comunidade”.

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