Um recluso do Estabelecimento Prisional da Guarda, que já cumpriu pena por tráfico de droga no Peru, liderava uma rede suspeita de introduzir estupefacientes nas prisões da Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego.
A operação “Tranca Segura”, da Polícia Judiciária, levou à detenção de 20 pessoas — 17 homens e três mulheres — suspeitas dos crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais e posse de arma proibida.
Segundo a PJ, as ordens partiam de dentro da cadeia e a droga era adquirida no exterior e posteriormente introduzida nos estabelecimentos prisionais.
“Havia pessoas que iam aos grandes centros populacionais, onde adquiriam a droga, que era entregue a outras pessoas, também só com essa função, que a traziam até à porta dos estabelecimentos prisionais”, explicou Alexandre Branco, durante uma conferência de imprensa realizada nas instalações da PJ da Guarda, na sequência das detenções.
“Algumas das quais suspeitamos que tenham atuado, mesmo sabendo do crime que estavam a cometer, com medo que acontecesse algum mal aos seus entes queridos reclusos”, acrescentou.
No âmbito da operação foram apreendidos cerca de 81 mil euros, 80 doses de heroína e 120 doses de cocaína, sete papéis impregnados com estupefacientes, duas armas de fogo, 71 munições de diversos calibres, incluindo os correspondentes às armas apreendidas, quatro balanças de precisão, 31 telemóveis e três viaturas.
De acordo com a PJ, o recluso enviava para o Peru “grande parte do dinheiro produto das vendas dentro das cadeias”.
A investigação começou em abril de 2025, na sequência de uma denúncia apresentada pela direção do Estabelecimento Prisional da Guarda.
A unidade prisional tem cerca de 287 reclusos e 105 profissionais. Durante a conferência de imprensa, o diretor da prisão da Guarda, Luís Couto, assegurou que existe “a certeza de que não há ninguém que trabalhe no estabelecimento prisional que esteja nesta organização”.
“Recebemos, por ano, praticamente entre 17 e 20 mil visitantes e nem todas as pessoas estão disponíveis para cumprir as regras. Este é um exemplo. Temos muitas dificuldades em controlar tudo e todos. Vamos fazendo, não diria o nosso melhor, mas mais do que o nosso melhor”, afirmou.
Os 20 detidos estão a ser ouvidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Guarda, que dirige o inquérito.
Fonte: Lusa
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