A Câmara de Vila Velha de Ródão disse hoje estar muito apreensiva com a renovação da licença, até 2030, da Central Nuclear de Almaraz, na província de Cáceres, em Espanha.
“Esta decisão provoca uma profunda apreensão e até revolta, porque o que todos esperávamos era que o desmantelamento desta central fosse, finalmente, uma realidade”, afirmou o presidente da Câmara.
António Carmona mostrou-se estupefacto com a decisão e lamentou que se esteja perante uma espécie do “poder do mais forte”.
Reiterou a sua preocupação com o facto de o concelho de Vila Velha de Ródão, ser, a par do de Castelo Branco, dos mais afetados em caso de um eventual acidente naquele equipamento.
“Castelo Branco está na primeira linha, mas é em Vila Velha de Ródão que o Tejo entra em Portugal e muitas das consequências daquela laboração vêm rio abaixo”, alertou.
António Carmona lembrou também que “já está mais que ultrapassado o tempo de vida útil da Central Nuclear de Almaraz, o que, desde logo, aumenta o risco”.
“Não é possível andar tudo preocupado e em manifestações contra as centrais fotovoltaicas e não se tenha uma reação idêntica sobre esta”, lamentou, garantindo que, “independentemente de poder vir a ser tomada uma posição conjunta ao nível da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa, o Município de Vila Velha de Ródão vai questionar o Ministério do Ambiente sobre as medidas que tomou sobre esta licença”.
O Ministério espanhol da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico (MITECO) renovou até junho de 2030 a licença de operação das Unidades I e II da Central Nuclear de Almaraz, uma prorrogação do tempo de vida daquele equipamento, pedido em outubro de 2025 pelas três empresas proprietárias da central, a Iberdrola, a Endesa e a Naturgy.
O encerramento gradual dos dois reatores estava inicialmente previsto para 01 de novembro de 2027, para a Unidade I, e 31 de outubro de 2028, para a Unidade II, em conformidade com o protocolo estabelecido pelas empresas de energia.
De acordo com a portaria ministerial, a prorrogação da licença de operação de Almaraz estará sujeita ao rigoroso cumprimento das condições e instruções de segurança emitidas pelo Conselho de Segurança Nuclear (CSN), que emitiu parecer favorável à renovação, condicionado ao cumprimento dos limites e requisitos de segurança nuclear e proteção radiológica agora definidos na portaria.
O parecer técnico do órgão regulador certificou e credenciou que a central nuclear de Cáceres atende às condições de segurança necessárias para operar com segurança durante o período de prorrogação.
O Ministério também justifica a decisão com base no novo contexto energético internacional e na volatilidade dos preços do gás resultante da crise no Médio Oriente.
Segundo os cálculos referidos no diploma, a manutenção de Almaraz até 2030 teria um efeito “limitado e insignificante” na implantação de energias renováveis e contribuiria para a redução da dependência do gás.
