TEXTO DE MIGUEL LOBO, DIRETOR-GERAL DA LIGHTSOURCE BP
No desenvolvimento de um projeto, é preciso perceber o território onde ele se insere. Ouvir quem lá vive, quem lá trabalha, quem conhece as suas necessidades e quem olha para o futuro da região a partir de dentro e procurar o melhor equilíbrio entre as várias prioridades para a transição energética.
Foi esse o ponto de partida quando iniciámos o desenvolvimento do Projeto do Parque Solar Sophia, reforçado agora na sua reformulação.
O diálogo com o território não começou agora. Durante a elaboração da primeira versão do Estudo de Impacte Ambiental, auscultámos diferentes intervenientes locais e definimos as linhas gerais do Programa de Benefícios Partilhados. Este trabalho antecedeu a primeira das três consultas públicas, realizada em outubro de 2025. Os contributos recolhidos nessa fase levaram-nos a reforçar a presença no território e a criar novas oportunidades de diálogo com cidadãos, autarquias, associações e entidades públicas. Foram contactadas mais de 80 organizações, realizadas cerca de 100 reuniões presenciais e promovidas 13 sessões de recolha de contributos com a população, que envolveram mais de 120 participantes. A este trabalho juntaram-se canais abertos à participação, através de um endereço de email dedicado, formulário de contributos e contacto via WhatsApp.
O objetivo passava por perceber melhor as preocupações, mas também as oportunidades identificadas por quem conhece a região.
Primeiro, ouvimos
A população manifestou preocupações com a paisagem, a biodiversidade, os solos agrícolas, o potencial futuro regadio, os recursos hídricos, a infraestrutura elétrica e a proximidade às populações durante este processo. A consulta pública foi decisiva para podermos reforçar esta auscultação, cientes de que existiriam pontos a melhorar no projeto inicial, e que as perspetivas locais são cruciais para criar um projeto com real integração territorial.
Mas este trabalho de escuta não se cingiu apenas a recolher opiniões. Procurámos perceber o que podia ser transformado em decisões concretas.
Foi a partir destes contributos, em conjunto com os pareceres das entidades competentes e o trabalho técnico e ambiental desenvolvido, que começou a nascer uma nova proposta para o Parque Solar Sophia.
Depois, reformulámos
O resultado é um projeto significativamente mais pequeno, menos disperso e com uma implantação diferente.
A potência instalada prevista passa de 867MWp para 573MWp, a área ocupada por painéis diminui em cerca de 35%, de 390 para 253 hectares, e o parque passa a ter uma única linha de muito alta tensão, com cerca de 70% do traçado da linha acompanhando linhas elétricas já existentes.


No Fundão, os painéis são integralmente retirados, tendo em conta o futuro Aproveitamento Hidroagrícola da Gardunha Sul e a proximidade às populações. Em Penamacor e Idanha-a-Nova, o projeto mantém-se, mas com uma redução significativa.
No total, cerca de 70% da área do projeto fica concentrada em zonas de eucaliptal já existentes, sai de solos de elevada aptidão agrícola, mantendo a possibilidade de usos agrícolas e pecuários, incluindo soluções de pastoreio de ovinos sob os painéis.
Também a relação com a paisagem e com as populações foi revista: o novo desenho procura reduzir a exposição visual, aumentar os corredores ecológicos e as distâncias às habitações e às estradas, e reforçar a integração paisagística através de barreiras de árvores e arbustos com espécies locais, sobretudo nas zonas mais expostas.
Não se tratou de um ajuste pontual ao projeto inicial. A Lightsource bp voltou ao desenho inicial e procurou uma solução diferente a partir daquilo que foi sendo identificado no território.
Da escuta nasceu também um programa para o território
O mesmo princípio foi aplicado ao Programa de Benefícios Partilhados.
Ao longo das reuniões e sessões de auscultação, o diálogo não se ficou pelos impactos do projeto. Foram também identificadas necessidades, prioridades e oportunidades para gerar valor local.
Foi com base nesse trabalho que o programa foi robustecido. Hoje integra dez medidas organizadas em quatro eixos (Energia, Comunidade e Território, Produtividade e Qualificação e Turismo) e representa um investimento voluntário superior a 20 milhões de euros ao longo da vida do projeto.
Entre as iniciativas previstas encontram-se a LUZ partilhada, um projeto de autoconsumo coletivo que aplica aos aderentes um desconto na fatura de eletricidade de até 25% numa primeira fase (havendo ou não havendo Projeto Sophia) e um desconto de até 45% quando o projeto Sophia entrar em construção. Além desta, encontram-se medidas de combate à pobreza energética, investimento social local, apoio aos bombeiros e à prevenção de incêndios, integração agroecológica e pastoreio, programas de formação e emprego verde, literacia energética e iniciativas ligadas ao turismo sustentável.
Este Programa procura traduzir em iniciativas concretas aquilo que fomos ouvindo no território.
E voltámos para apresentar o resultado
Havia um compromisso assumido: depois de ouvir e reformular, voltar ao território e explicar diretamente o que tinha mudado. Foi isso que aconteceu nos dias 21, 22 e 23 de setembro.
A Lightsource bp promoveu, de forma voluntária, três sessões públicas de esclarecimento em Penamacor, Idanha-a-Nova e Fundão, antes do período formal de consulta pública. Mais de 150 pessoas participaram nestes encontros, entre população local, representantes de autarquias e diferentes entidades públicas e privadas.
As sessões permitiram apresentar a nova configuração do projeto, explicar as alterações realizadas, responder a perguntas e continuar a recolher contributos.
A decisão de realizar estes encontros antes da consulta pública oficial foi também uma resposta às preocupações manifestadas relativamente ao período formal de 10 dias úteis. Embora esse prazo esteja definido na legislação, optámos por antecipar a apresentação pública da informação, dando às comunidades mais tempo para conhecerem a proposta reformulada e esclarecerem dúvidas.
Já disponibilizámos no nosso website toda a documentação relativa à reformulação do projeto e sujeita ao procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental, em lightsourcebp.com/project/parque-solarfotovoltaico-sophia/, e estamos a entregar versões impressas nas autarquias onde o projeto estará presente, para que a informação esteja acessível a todos.
O processo, contudo, não termina aqui.
Mantemo-nos totalmente disponíveis para ouvir, ajustar e contribuir, e contamos com a população para ser nossa aliada para pôr a transição energética ao serviço dos territórios.


