Os Cidadãos pela Beira Baixa (CPBB) manifestam a sua oposição ao Projeto Sophia

Os Cidadãos pela Beira Baixa (CPBB) manifestam a sua oposição ao Projeto Sophia

Os Cidadãos pela Beira Baixa (CPBB) manifestam a sua oposição ao Projeto Sophia reformulado e apelam à participação da população na consulta pública, que termina a 21 de outubro.

Em comunicado, o movimento considera que a nova versão do projeto não resolve as falhas da proposta inicial, acusando o promotor de se limitar a “reorganizações cosméticas” para contornar a oposição das autarquias, das populações e de entidades públicas como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

“Na realidade, o Promotor ao não abdicar da estrutura conceptual do projeto global inicial, focado numa grande central solar e numa Linha de Média e Alta Tensão no território, deixa claro que, através de posteriores redimensionamentos sem o escrutínio das populações e das Instituições publicas locais, regionais e nacionais, não desiste da sua implementação futura, o que configura a sonegação de informação relevante relativa à verdadeira dimensão que pretende para o projeto Sophia.

Mantêm-se, por isso, inalterados, se não mesmo agravados, os impactes cumulativos significativos sobre a paisagem, a fauna, o território e as populações, já anteriormente assinalados durante a Consulta Publica do Projeto inicial, e de que resultarão fortes e duradouros impactos para o território e as gerações futuras.

A conversão de um mosaico agroflorestal numa matriz industrial afeta a identidade visual da região a partir de pontos altos e itinerários turísticos estratégicos. Esta degradação da qualidade paisagística e da atração turística do território, compromete estratégias em curso de desenvolvimento sustentável do território (já traduzida na ligeira recuperação da população de Idanha-a-Nova e Penamacor), o retorno dos investimentos privados já realizados em turismo natureza, agroturismo e Alojamento Local e, transfere os prejuízos da perda de procura turística para os operadores privados e demais instituições envolvidas na promoção e valorização sustentada do território.

Os CPBB, Cidadãos pela Beira Baixa, face à manifesta insuficiência e contradições do EIA reformulado, aos impactos económicos e sociais negativos do projeto, à ocultação de riscos tecnológicos e hídricos severos, à destruição do património apícola e agrícola, à usurpação da representatividade de movimentos cívicos e à violação dos princípios basilares do direito 1 ambiental, manifesta a sua profunda DISCORDÂNCIA DO PROJETO SOPHIA REFORMULADO e apela à população para participar na Consulta Publica deste projeto até ao próximo dia 21 de outubro.

Os CPBB não podem deixar de apoiar e congratular-se com a posição de firme oposição que vem sendo assumida pelos municípios do Fundão, Castelo Branco, Penamacor e Idanha-a-Nova em relação aos megaprojetos solares, permitindo-se reproduzir, pela sua importância e clareza, o Comunicado emitido pelo Município de Idanha-a-Nova a 22 de setembro:

“A vontade dos Idanhenses sobre o Projeto Sophia é clara: Idanha-a-Nova é contra e não está à venda.

Nenhuma compensação financeira nos fará divergir do desejo dos nossos munícipes. A recente reformulação do projeto “Sophia” não passa de uma ilusão de cedência. A nossa terra tem dignidade e o património local não se negoceia.

Relembramos ainda que esta Câmara Municipal defende uma transição energética justa, assente no equilíbrio e no respeito pelas comunidades, reafirmando que Idanhaa-Nova não está à venda para megaprojetos massivos. Propomos alternativas viáveis, como o aproveitamento de áreas já artificializadas e degradadas. Incentivamos o autoconsumo e a criação de comunidades energéticas de pequena escala, onde os benefícios ficam nas mãos dos residentes e não de multinacionais.

A desistência de uma parte não torna o resto do projeto Sophia aceitável. Pelo contrário, mostra que a escala destas instalações atropela a realidade local.”

O contributo pode ser submetido através do portal Participa, até 21 de outubro, último dia do período de consulta pública.

A participação está disponível em: https://participa.pt/pt/consulta/central-solar-fotovoltaica-de-sophia-e-lmatassociadas-projeto-reformulado

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