“A 𝗙𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗮𝘀 𝗩𝗮𝗿𝗮𝘀 𝗱𝗼 𝗙𝘂𝗺𝗲𝗶𝗿𝗼 passou a ser muito maior, como há poucas no país, ou talvez, nem haja” – 𝗟𝘂𝗱𝗼𝘃𝗶𝗻𝗮 𝗠𝗼𝗿𝗲𝗶𝗿𝗮
“Ó filha, eu participo em todas!”
É desta forma que 𝗟𝘂𝗱𝗼𝘃𝗶𝗻𝗮 𝗠𝗼𝗿𝗲𝗶𝗿𝗮, de 𝟴𝟯 𝗮𝗻𝗼𝘀, responde, quando questionada acerca do número de anos em que participa na 𝗙𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗮𝘀 𝗩𝗮𝗿𝗮𝘀 𝗱𝗼 𝗙𝘂𝗺𝗲𝗶𝗿𝗼, não tivesse sido o filho, 𝗔𝗻𝘁𝗼́𝗻𝗶𝗼 𝗚𝗲𝗿𝗮𝗹𝗱𝗲𝘀, o grande impulsionador desta tradição, quando era Presidente da Junta de Freguesia, de 2013 a 2017, como conta Ludovina.
“Ele gosta muito de tradições, todos nós gostamos muito de coisas antigas, então ele foi recolher o antigo. Enquanto andavam com dois ou três paus, agora matam-se porcos e fazem-se os fumeiros grandes, enchidos, de todas as maneiras, que depois vão a leiloar, vão mais de cem varas a leiloar, cheias de enchidos”.
𝗟𝘂𝗱𝗼𝘃𝗶𝗻𝗮 𝗠𝗼𝗿𝗲𝗶𝗿𝗮 explica que a 𝗙𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗮𝘀 𝗩𝗮𝗿𝗮𝘀 𝗱𝗼 𝗙𝘂𝗺𝗲𝗶𝗿𝗼, recuperada pelo filho em 2015, tem origem nos antepassados.
“Isto já vem, o princípio já vem dos nossos bisavós. Andavam com umas varas a pedir para fazer as Janeiras, mas faziam uma coisa em miniatura, antigamente. Ele, enquanto Presidente, quis fazer em ponto grande”.
O 𝗰𝗮𝗻𝘁𝗮𝗿 𝗱𝗮𝘀 𝗝𝗮𝗻𝗲𝗶𝗿𝗮𝘀, um dos grandes destaques, está intrinsecamente relacionado com esta Festa, como afirma Ludovina Moreira.
“Toda a vida, toda a vida, se cantaram as Janeiras, toda a vida. Tempos remotos, nas nossas terras, vai passando de geração em geração e a gente vai sabendo que, realmente, isto existiu sempre. Andavam com uns paus, cheios de pregos, a pedir. Toda a gente matava porcos, antigamente, hoje já não é assim, mas antigamente toda a gente criava porcos para matar, era o sustento do ano, e então, toda a gente ia pedir as Janeiras e o que davam era enchidos. Depois desses enchidos, juntavam-se rapazes e raparigas, que a nossa aldeia tinha muita, muita gente jovem, e faziam-se as comadres e os compadres.
Vinha o dia das comadres e dos compadres que é agora junto ao Carnaval, havia a quinta-feira de comadres e a quinta-feira de compadres e, nessa altura, a gente fazia uma grande festa, a rapaziada, a juventude, com esse enchido que a gente tirou, fazia-se comida e dava-se a toda a gente que participava nas Janeiras e família, era uma festa. A gente logo inventava, conforme era a “pressão” do enchido, assim era o que se fazia, porque as pessoas até faziam coisas pequeninas para darem mais pequenino, e tal”.
Sobre se a tradição ainda se mantém o que era, Ludovina Moreira conta que: “antigamente, manteve-se assim, até o filho entrar em cena:
“Ele “inventou” a música, mas a referir-se ao passado. Passou a ser muito maior, mas muito maior, como há poucas festas no país assim, ou talvez nem haja. É uma Festa muito linda”.
A música a que Ludovina Moreira se refere é: “Mata Aranha” que, em 2015, começou a ser cantada durante o Desfile das Varas, sendo já considerada um ex-líbris da terra.
Ludovina Moreira faz parte do 𝗥𝗮𝗻𝗰𝗵𝗼 𝗙𝗼𝗹𝗰𝗹𝗼́𝗿𝗶𝗰𝗼 𝗱𝗲 𝗔𝗿𝗮𝗻𝗵𝗮𝘀, que atua na Festa das Varas do Fumeiro.
É considerada a última tecedeira de Aranhas, mas sobre isto, afirma: “𝗮𝗶 𝗱𝗲 𝗔𝗿𝗮𝗻𝗵𝗮𝘀, 𝗮𝗾𝘂𝗶 𝗱𝗼 𝗱𝗶𝘀𝘁𝗿𝗶𝘁𝗼, 𝗷𝗮́ 𝗻𝗮̃𝗼 𝗵𝗮́ 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗮, 𝗻𝗮̃𝗼 𝗵𝗮́ 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗮”.
𝗟𝘂𝗱𝗼𝘃𝗶𝗻𝗮 𝗠𝗼𝗿𝗲𝗶𝗿𝗮 𝘁𝗲𝗺 𝟴𝟯 𝗮𝗻𝗼𝘀 𝗲 𝗮𝗽𝗿𝗲𝗻𝗱𝗲𝘂 𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗮𝗿𝘁𝗲 𝗰𝗼𝗺 𝟭𝟮 𝗮𝗻𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲.
