Carlos Matias, deputado do Bloco de Esquerda e membro da Comissão Parlamentar do Ambiente esteve junto ao tio Tejo onde apelou a todos os partidos que aprovassem o projeto de resolução que propõe “a redução da produção da Celtejo para valores compatíveis com a capacidade de processamento dos efluentes desta empresa”.
A Comissão Coordenadora Distrital de Castelo Branco do Bloco de Esquerda associa-se a esta iniciativa do Grupo Parlamentar, exigindo “o cumprimento da promessa do Ministro do Ambiente do fim da impunidade para os poluidores do Tejo”.
O Bloco saúda as associações e os ativistas pela defesa do Tejo, que publicamente e através das redes sociais “têm combatido, incessantemente, este flagelo”, tendo marcado um protesto popular para o dia 4 de março, em Vila Velha de Ródão.
“Em defesa da qualidade da água do rio Tejo, o BE, através de um projeto de resolução, propôs que a Assembleia da República recomende ao Governo que este determine a imediata redução da produção da empresa Celtejo para um nível que não exceda a sua atual capacidade de produção”, disse hoje o deputado Carlos Matias, numa visita efetuada ao rio Tejo, na zona de Abrantes.
“Frequentemente, de Ródão à Barquinha, passando por Mação, de Abrantes a Santarém, a água do rio Tejo apresenta-se escura, acastanhada, com enormes manchas de espuma branca a flutuar sobre o leito”, disse o deputado, eleito por Santarém, notando que a jusante de Vila Velha de Ródão quase desapareceu a fauna piscícola.
“Os lagostins, ganha-pão dos poucos pescadores que ainda resistem, já só aparecem a montante, para os lados de Espanha”, vincou.
O problema, sublinhou, está identificado e é reconhecido num recente relatório da Comissão de Acompanhamento sobre a Poluição do Rio Tejo.
O documento “propunha uma redução do caudal e da carga orgânica poluente nos efluentes setoriais e no efluente rejeitado no meio hídrico pela Celtejo, por recurso à ampliação ou substituição da atual estação de tratamento de águas residuais”.
A empresa e o Governo preveem “que a implementação desta medida esteja concluída em 2018”, situação que o BE criticou.
“Tal significará que, até 2018, mantendo-se os atuais volumes de produção da Celtejo e mantendo-se a reconhecida insuficiência da sua capacidade de processamento de efluentes gerados, continuarão a verificar-se descargas poluidoras no rio Tejo e isso nós não podemos aceitar”, frisou Carlos Matias.
O bloquista sublinhou que, em maio de 2016, o atual Governo emitiu uma licença à Celtejo para captação de água e lançamento de efluentes para o rio que “é três vezes superior àquela que estava autorizada antes”, acabando por “legalizar uma ilegalidade”.
“Como comprovadamente a Celtejo não tem capacidade para processar os efluentes da produção que tem, então que reduza a produção para o nível que é capaz de processar. Porque, sem isso, vamos continuar a assistir a episódios gravíssimos como aqueles que assistimos aqui no rio”, defendeu o deputado.
A Celtejo, fábrica de pasta de papel da Altri, tem garantido que cumpre os limites de descarga hídricos impostos pela licença ambiental, avançando já em 2016 que as análises demonstram a “correta atuação” da empresa.
Carlos Matias recordou a visita realizada este ano a Abrantes pelo ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, que “prometeu que tinha acabado a impunidade” sobre a poluição do Tejo.
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*Com MedioTejo/Lusa
