Castelo Branco

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SIM reafirma alerta no Hospital
O secretário Regional do SIM/Centro (Sindicato Independente dos Médicos), José Carlos Almeida, enviou uma resposta, por ofício, à diretora Clínica do Hospital Amato Lusitano, Eugénia André, na sequência da entrevista à Beira Baixa TV”, sobre o comunicado daquele Sindicato, com conhecimento ao presidente da ARS/Centro, ao presidente da SCROM, e ao presidente da Câmara Municipal de .

“No decurso da última visita do Sindicato Independente dos Médicos – SIM/Centro ao Hospital Amato Lusitano, de foram encontradas situações que, no nosso entender, são lesivas do interesse dos doentes.
O relatório que fizemos com a nossa avaliação sobre a situação do Hospital, mereceu algumas considerações por parte da Sr.ª Diretora Clínica, Dr.ª Maria Eugénia André, que em relação às quais importa referir:

1. Constatámos a assunção, por parte da Direção Clínica, das faltas de pessoal por nós referida, no Hospital:
– Um médico obstetra no quadro;
– Uma médica cardiologista no quadro;
– Dois urologistas no quadro;
– Inexistência de médico imunohemoterapeuta;
– Carências de médicos em diversas outras especialidades, como é o caso da Cirurgia e da Anestesia;
– Recurso muito acentuado a médicos prestadores de serviço.

2. Constatámos a assunção, por parte da Direção Clínica, da dificuldade na contratação de novos profissionais médicos para o Hospital Amato Lusitano – ULS .

3. Reafirmamos a importância do Hospital Amato Lusitano no contexto regional e nacional. A enorme extensão geográfica da Beira Interior é servida, essencialmente, por três hospitais (Guarda, Covilhã e ), tendo esta população direito a cuidados de saúde adequados.

4. Reafirmamos que o serviço de Imunohemoterapia, funciona de forma ilegal e sem a direção médica adequada.
O DL 185/2015 é taxativo, mantendo a redação do DL 267/2007, ao afirmar no seu artigo 8º, nonº2, “O responsável do serviço de sangue deve ser médico, deter a especialidade de Imunohemoterapia e possuir experiência de pelo menos dois anos, na área da Imunohemoterapia”. Fica claro que um serviço de sangue/Imunohemoterapia nunca pode, de forma legal, ser dirigido por um médico de qualquer outra especialidade, como é o caso da Medicina Interna.
A inexistência de direção médica inadequada é fator de risco transfusional pelo que, nestas circunstâncias, a atividade transfusional e toda a atividade clínica desta depende, como é o caso da atividade cirúrgica e a realização de partos, deveriam estar suspensas neste Hospital.

5. No que diz respeito ao serviço de Cardiologia, a desvalorização, por parte da Srª Diretora Clínica, do facto de o hospital só possuir uma médica cardiologista, ao afirmar poder a Cardiologia ser substituída pela Medicina Interna, importa esclarecer que:
– Não é verdade ser a Cardiologia, cada vez mais, uma especialidade técnica e instrumental;
– Em caso de Enfarte Agudo do Miocárdio, a intervenção precoce por médico diferenciado, e nos tempos corretos, é fundamental para a recuperação do doente, não podendo estar dependente da disponibilidade de meios, nem sempre presentes, que assegurem o transporte dos doentes para Coimbra;
– A Cardiologia assegura o tratamento diferenciado de uma série de situações clínicas complexas que exigem diferenciação adequada, como sejam, entre outros:
– As disritmias graves com eventual necessidade de implantação de pacing provisório em contexto de urgência;
– Os choques cardiogénicos;
– Insuficiência cardíaca;
– Reabilitação cardíaca.
Ignorar as especificidades de uma especialidade tão diferenciada e diversa como a Cardiologia, trazendo de volta ao âmbito da Medicina Interna, o diagnóstico e tratamento de doentes com patologia cardíaca, é retroceder dezenas de anos de evolução médica nesta área clínica, responsável por patologias cada vez mais relevantes no contexto social atual.

Um hospital que vê esvaídos os seus recursos médicos permanentes e que recorre, com frequência, a prestadores externos é, em nosso entender, um hospital que caminha para a sua extinção, da mesma forma que um SNS cada vez mais dependente de prestadores externos é, também ele, um SNS apoptótico em processo de morte programada.

Os alertas do SIM/Centro devem ser encarados, não como uma afronta ao hospital e à sua direção clínica, mas como um grito de alerta para que sejam tomadas as medidas necessárias em prol do hospital e do SNS”.

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