Bordado entra no marcado de luxo
Na Sala Jardim, na loja Cartier na avenida da Liberdade, em Lisboa, está exposto um bordado de , com aproximadamente quatro metros de altura.
Trata-se de um painel executado em fio de seda natural sobre linho, elaborado pelas seis bordadoras do Centro de Interpretação do Bordado de durante mais de 3 mil horas de trabalho (cerca de seis meses).
O projeto do bordado, nomeadamente, a parte criativa do desenho e a escolha da paleta de cores, em harmonia com a temática da loja, foi desenvolvido por Sara Valério, Ana Pereira e Rosa Gonçalves em articulação com o atelier de decoração e arquitetura de interiores Casa do Passadiço.
A boutique da marca francesa de joalharia e relojoaria presente na capital portuguesa foi remodelada e reabriu no final de 2024 com “uma nova imagem de glamour e muita arte”, ganhando dimensão artística e cultural com a presença de diversas peças artesanais que remetem para a história e cultura nacionais, entre as quais para o Bordado de .
Neste âmbito, a Câmara Municipal (CM) de e a equipa envolvida na produção do painel foram convidadas para uma visita à renovada loja no sentido de celebrar, no local, a magnitude da peça artesanal. A visita aconteceu na passada segunda-feira, dia 17 de março, tendo o grupo albicastrense sido recebido por Rui Costa, diretor da Cartier-Lisboa.
Sara Valério, coordenadora do Centro de Interpretação do Bordado de , frisou que “o desenho é lindíssimo” e representa “a árvore da vida, com toda a sua emblemática e todo o seu simbolismo, acompanhada por uma série de elementos da natureza: pavão, pássaros, frutos, flores, folhas e borboletas, que celebram a identidade cultural e combinam muito bem com a elegância da Cartier”.
As seis bordadoras da oficina do Centro de Interpretação do Bordado de que, habilmente, deram vida a esta “magnífica peça”, Ana Pereira, Anabela Rosindo, Céu Robalo, Gracinda Marques, Lurdes Baptista e Rosa Gonçalves, mostraram-se encantadas com o resultado final e deixaram transparecer o seu orgulho. Reconheceram que deu “imenso trabalho”, mas “valeu a pena”.
Esta exposição projeta o Bordado de , que “encaixa no luxo e glamour da Cartier” e permite que “muita gente possa apreciar este trabalho que nos enobrece e divulga o nosso saber”.
Leopoldo Rodrigues, presidente da CM , afirmou que “esta presença é muito importante, pois constitui uma montra para o mercado de luxo” e confessou ter “enorme orgulho pelo trabalho que foi feito pelas nossas bordadoras com competência, criatividade, sensibilidade e perfeição e que aqui se apresenta com todo o seu esplendor”.
“Certamente que não há cliente que venha e que não pare para ver esta extraordinária peça”, considerou o autarca que acredita que esta presença dará visibilidade e funcionará como “embaixadora do bordado de no centro de Lisboa, na avenida da Liberdade, podendo fazer surgir outras peças e também pode ser motivo de incentivo para àqueles que queiram bordar”.
Aliás, “a sustentabilidade e a continuidade do bordado de depende muito de conseguirmos colocar o nosso artesanato no mercado de luxo, nacional e internacional” crê Leopoldo Rodrigues, bem como “de atrair mais pessoas que queiram fazer do Bordado de a sua profissão”.
“Exige muita dedicação e vontade, mas é uma atividade bonita, interessante e que tem futuro, dado que há cada vez mais pessoas interessadas em comprar o bordado”, por isso, “o caminho está aberto e será, seguramente, de prosperidade”, concluiu.

