Mulheres da música partilharam percursos
Para assinalar o Dia Internacional da Mulher, a Câmara Municipal de promoveu, no dia 8 de março, a Conferência “Notas Musicais no Feminino”, destacando o papel e o contributo da mulher no mundo da música, nas suas mais diversas vertentes e expressões artísticas.
A iniciativa decorreu no auditório do Conservatório Regional de e reuniu várias mulheres albicastrenses que se afirmam em diferentes áreas musicais, num encontro que procurou dar visibilidade a percursos inspiradores e ao talento feminino que marca a identidade cultural do concelho e da região.
A sessão foi moderada por Christelle Domingos, vereadora da Câmara Municipal de , e contou com a participação de várias oradoras que partilharam os seus percursos, refletindo sobre o momento em que a música entrou nas suas vidas e quando perceberam que queriam fazer dela o seu caminho.
Durante o encontro foram abordados temas como a evolução do ensino da música, os desafios de desenvolver uma carreira artística no Interior do país, o papel da tradição e a crescente presença feminina em diferentes áreas musicais.
Cristina Lima, diretora do Conservatório Regional de , destacou a evolução do ensino artístico em Portugal, sublinhando que “a democratização do ensino aconteceu em 1983, com o ensino articulado”, recordando que, até então, “estudar música era um privilégio reservado a determinadas classes sociais”.
Susana Pascoal (nome artístico Suzy), Cantora de Música Popular Portuguesa, afirmou que o principal obstáculo no seu percurso foi a distância dos grandes centros urbanos.
“Estar na Beira Baixa, no Interior, com acesso mais limitado, torna o percurso mais difícil”, afirmou, acrescentando que as redes sociais vieram aproximar artistas e públicos, permitindo levar a música a qualquer parte do mundo.
Maria Luísa Correia Castilho, professora da ESART, recordou o seu percurso académico, referindo ter sido pioneira ao concluir uma licenciatura e um mestrado na área da música, reconhecendo que, atualmente, existe uma presença cada vez maior de mulheres neste universo.
Filomena Marques, cantadeira do Grupo de Danças e Cantares da Beira Baixa, partilhou a sua experiência como cantadeira num grupo de música popular e tradicional, predominantemente composto por mulheres, abordando a importância da preservação das tradições musicais e do papel feminino na sua transmissão.
Recordou que, em tempos de outrora, muitas mulheres tinham outras prioridades ligadas às lides domésticas e à vida familiar, não tendo palco nem reconhecimento para expressar o seu talento musical.
Carolina Prates, soprano e professora, destacou que, no canto lírico, existe uma forte presença feminina, especialmente entre sopranos, o que aumenta a competitividade, embora considere que essa realidade não se relaciona com desigualdades de género.
Partilhou o início do seu percurso musical, recordando que, ainda muito nova, ingressou na Academia de Música, onde começou por estudar piano e, posteriormente, violino.
Joana Teixeira, aluna de Guitarra Portuguesa da ESART, abordou o seu percurso ligado à guitarra portuguesa, instrumento tradicionalmente dominado por homens.
A jovem realçou a importância de ter professores que incentivem e apoiem novas gerações de mulheres neste instrumento, revelando que ela será a primeira mulher a cantar fado e, simultaneamente, a tocar guitarra portuguesa.
Ana Paula Martins contou que o fado entrou na sua vida em 2011, quando foi inscrita num concurso de karaoke, do qual acabou por sair vencedora.
Destacou o papel de Amália Rodrigues na transformação da perceção social da mulher no fado, referindo que a fadista ajudou a quebrar preconceitos e estigmas associados a este género musical.
A conferência terminou com uma reflexão conjunta sobre o futuro do ensino da música, sublinhando a importância de o tornar cada vez mais acessível e disponível, bem como a necessidade de orientar e moderar a informação obtida através das plataformas digitais.
Fotos: Município de




