PJ analisa texto de inspetor-chefe no Facebook sobre eleições internas no PS
A Polícia Judiciária (PJ) está a analisar se um texto publicado pelo inspetor-chefe Paulo Ferrinho, natural da e responsável pela Unidade Local de Investigação Criminal de Évora da PJ, viola os deveres de isenção e imparcialidade do código deontológico dos trabalhadores da polícia criminal.
No texto partilhado nas redes sociais na passada semana, Paulo Ferrinho escreve que “atendendo às condições políticas do país” e “à possível polarização de votos em vários partidos”, “Pedro Nuno Santos é o único capaz de agregar as esquerdas para poder formar Governo”. José Luís Carneiro “não tem, ainda, os apoios no partido e sociedade civil, nem dimensão nacional que possa ombrear e concorrer, em igualdade de circunstâncias, com Luís Montenegro”, acrescenta.
Ao Diário de Notícias recusa ter cometido qualquer violação do código deontológico dos trabalhadores da PJ.
“Não faço nenhum apoio a Pedro Nuno Santos”, contesta, argumentado que fez uma análise, “enquanto cidadão ativo”. Afirma também não ter conhecimento oficial de que o seu texto será alvo de análise pela Direção de Serviços de Disciplina e de Inspeção da Polícia Judiciária (PJ), que é dirigida pela procuradora-geral adjunta Luísa Carrajola.
“Se os inspetores da PJ não puderem, enquanto cidadãos, ter liberdade de expressão é que passam a ficar com a sua capacidade diminuída”, disse ao mesmo jornal. Ferrinho sublinha que o código deontológico não pode ser “um voto de silêncio e de clausura”.
De ressalvar que Paulo Ferrinho começou a ser julgado no mês passado por três crimes, pelas alegadas agressões ao inspetor Jorge Lentilhas, ocorridas a 11 de fevereiro de 2022.
