“Seria uma grande felicidade para todos os jogadores, se o Futebol de Mesa se tornasse um desporto profissional” – Ângela Costa
Já foi sete vezes Campeã Nacional e é a Campeã Mundial no World Series Bonzini, um feito considerado inédito para o desporto amador português e para a modalidade de Futebol de Mesa, pela Federação Portuguesa de Futebol de Mesa.
“Domínio, precisão e confiança são os aliados de Ângela Costa na mesa de jogo. Natural da Covilhã, tem o desejo que a modalidade seja reconhecida como desporto profissional.
BBTV – Foi o seu marido que a introduziu na modalidade Futebol de Mesa, há cerca de doze anos?
Ângela Costa – “Sim, foi o meu marido que me introduziu na modalidade há cerca de doze anos. Inicialmente, inscrevemo-nos, na brincadeira, no meu primeiro torneio, que foi na Associação Desportiva e Recreativa Os Brincalhões. Um ano mais tarde, foi fundada a Associação AMFMCB – Associação de Matraquilhos e Futebol de Mesa do Distrito de Castelo Branco, e foi aí que comecei a participar em mais provas”.
BBTV – Para além de o ser na vida, o seu marido continua a ser o seu par na mesa?
Ângela Costa – “Sim, claro. O meu marido será sempre o meu par na mesa de matraquilhos”.
BBTV – A paixão pela modalidade despertou logo, ou foi despertando aos poucos?
Ângela Costa – “Sempre fui muito competitiva. Fui apaixonada e praticante de diversos desportos, ao longo da minha infância até à fase adulta, deste Atletismo, Futsal, Basquetebol, Pool Português e, por último, Futebol de Mesa (Matraquilhos), que foi, realmente, a minha verdadeira paixão”.
BBTV – Em que é que pensa quando está em jogo?
Ângela Costa – “Quando estou a jogar, estou sempre muito focada na minha estratégia de jogo e no domínio de bola em campo, que é fundamental no Futebol de Mesa. Domínio, precisão e confiança, são três elementos-chave”.
BBTV – Criou muitas amizades na modalidade?
Ângela Costa – “Sim, criei algumas amizades que mantenho até aos dias de hoje”.
BBTV – Já foi Campeã Nacional sete vezes. Recorda-se da sua primeira vitória e do sentimento que experienciou?
Ângela Costa – “Sim, já fui sete vezes Campeã. A primeira vitória foi em 2015. Foi um sentimento único e memorável pois, para além de ser um objetivo pessoal, também tinha muitas pessoas que torciam por mim e que vivenciaram comigo essa vitória”.
BBTV – Destaca algum momento ao longo destes doze anos?
Ângela Costa – “Destaco vários, não consigo destacar nenhum particularmente. Foi muito especial ter participado na Champions League, juntamente com a minha equipa feminina NS Sports. Igualmente importante ter sido Campeã Nacional em equipas com a minha filha Melinda. Algo inesperado, mas um marco muito importante para mim, foi o facto de ter sido Campeã Mundial no WS Bonzini e, por último, ter vencido uma prova internacional, um WT500 com o meu marido”.
BBTV – Qual a sua rotina de treino? Gostava de o poder fazer diariamente?
Ângela Costa – “Tenho treinado cerca de duas vezes por semana, às vezes, apenas uma vez, dependendo da minha disponibilidade horária, pois trabalho por turnos. Faço-o no Centro de Treinos da Associação, onde tenho acesso a todas as mesas internacionais para treinar. Quanto ao facto de poder fazê-lo diariamente, claro que sim, seria uma grande felicidade para todos os jogadores, se o Futebol de Mesa se tornasse um desporto profissional. É uma luta constante conciliar a nossa vida pessoal, profissional com a desportiva, mas nunca desistindo dos nossos sonhos e objetivos, que só com trabalho se consegue”.
BBTV – O seu sonho era que o Futebol de Mesa fosse mais do que um hobby? Gostaria de ser uma atleta profissional?
Ângela Costa – “Pegando na resposta anterior, claro que sim, penso que é o objetivo de qualquer atleta que ama a modalidade, poder fazê-lo de forma profissional, tal como acontece com qualquer outro desporto”.
BBTV – Onde gostava que o Futebol de Mesa a levasse?
Ângela Costa – “Acho que o objetivo máximo seria a Seleção Nacional Feminina alcançar um pódio no Mundial”.
BBTV – Acha que são necessários mais apoios a esta modalidade?
Ângela Costa – “Sim, os apoios que dispomos, atualmente, são escassos. Pontualmente, recebemos apoios da autarquia e das Juntas de Freguesia. Mas, habitualmente, ir a uma prova no estrangeiro, a um Mundial Bonzini ou mesmo uma deslocação até à América, como vai acontecer em maio deste ano, são custos pessoais com muito poucas ajudas ou nenhumas. Isto é verdade, não apenas para mim, mas para todos os atletas desta modalidade. Temos, eventualmente, custos suportados nas provas locais, pelos clubes que representamos, mas ir a competições lá fora, que contam para o ranking internacional, é mais um sacrifício pessoal, pois as ajudas, como disse, são quase nulas”.
BBTV – Este encontro nos Estados Unidos, qual a sua relevância? Vão marcar presença as Campeãs de todas as mesas, a nível internacional e do ranking? Vai ser disputado em todas as mesas, a nível individual?
Ângela Costa – “É uma prova que vai ser disputada em todas as mesas internacionais homologadas, sendo estas a Tornado (mesa americana), Bonzini (mesa francesa), Leonhart (mesa alemã) e Garlando e Roberto Sport (ambas italianas), a prova ITSF Gold Finals é uma prova reservada às Campeãs e Campeões dos WS (World Series) de cada mesa, além das primeiras classificadas do ranking mundial, perfazendo um total de doze jogadores em cada categoria. Fiquei apurada para esta prova ao ganhar o WS Bonzini que decorreu em Evry, Paris, em maio de 2024. A ITSF Gold Finals irá decorrer em Dallas, nos Estados Unidos, a 23 de maio de 2025.
BBTV – Vencer é sempre o objetivo?
Ângela Costa – “Vencer é sempre um objetivo porque vemos que o nosso trabalho e a nossa dedicação à modalidade não são em vão mas, acima de tudo, as pessoas que nos apoiam, as amizades que nos acompanham ao longo desta caminhada no Futebol de Mesa são, sem dúvida, a nossa maior vitória”.
BBTV – Algumas curiosidades acerca desta modalidade. Podem jogar homens e mulheres e as mesas são diferentes de país para país?
Ângela Costa – “Nesta modalidade, tanto jogam homens como mulheres, existem diversas categorias, desde os Juniores (crianças até aos dezoito anos), Seniores (homens e mulheres acima dos dezoito anos) e ainda a categoria Veteranos (acima dos cinquenta anos). Nos Mundiais, existe ainda a categoria mais de sessenta e três anos.
Relativamente às mesas, sim, cada país tem as suas tradições, variando de país para país. Alguns países, como o nosso, têm uma mesa tradicional, no nosso caso, a mesa tradicional portuguesa, uma mesa que é mais pesada e com outras características (campo diferente, bola diferente, varões diferentes, figuras diferentes, etc). Em relação às mesas internacionais, os varões são mais leves, as figuras são, habitualmente, feitas numa liga plástica, os tabuleiros de jogo são completamente planos, podendo, em algumas mesas, haver umas tabelas nos cantos, apenas para a bola não parar e ficar inacessível. No caso da mesa Tornado, a nível de curiosidade, o varão do guarda-redes tem três bonecos, um guarda-redes e dois ‘apanha-bolas’, que são duas figuras que ficam no canto de cada lado da mesa, apenas para que a bola não fique inacessível na área de canto, pois o tabuleiro é completamente plano. Há outras mesas, com outras particularidades, como o caso das mesas Bonzini e Roberto Sport, que possuem varões telescópicos, o que as torna perfeitas para crianças mais pequenas pois, como os varões não saem do outro lado da mesa, o risco de se magoarem, é quase nulo. O estilo de construção de todas elas, particularmente, a nível de varões, como são feitos em materiais mais leves e os varões são tipicamente polidos, faz com que sejam muito leves, evitando óleo nos varões, coisa que, na nossa mesa tradicional, é raro um torneio que não se ganhe mais uma `medalha` de óleo no equipamento desportivo. Sendo uma mesa com varões muito pesados e o material em que são feitos os varões e os casquilhos da mesa portuguesa, necessitam de óleo nos varões e, ainda assim, são pesados”.
