Demolição da Ponte do Corge é “atentado ao património” .
O Bloco de Esquerda aponta a demolição da Ponte do Corge, na , na linha da Beira Baixa, como “um atentado ao património ferroviário nacional e ao património identitário do Município da “.
O visível desmantelamento da Ponte do Corge constitui “um grave atentado ao legado arquitetónico e ferroviário pertença do Município da .
É património histórico da ferrovia portuguesa e do Município, é uma obra da engenharia dos finais do século XIX que merecia ser preservada. O Município ficou mais pobre”, refere o Bloco em nota à comunicação.
A ponte ferroviária do Corge, de elevada complexidade para a época, é uma obra imponente que tem sido objeto de comunicações e estudos técnicos, tendo em conta a sua importância para a história e evolução da engenharia de pontes. Trata-se, igualmente, de uma referência identitária para a população local e uma marca paisagística incontornável.
O seu significado histórico é reconhecido, designadamente, por todas as implicações em termos económicos, culturais, sociais e da mobilidade das populações que resultaram do alargamento da rede ferroviária às Beiras.
“A sua destruição constitui uma perda irreparável para a memória histórica de todos os que vêem neste conjunto de pontes centenárias o esforço técnico e humano de uma época que venceu dificuldades extremas para a construção da Linha da Beira Baixa”.
Em 12 de março de 2010, o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia Municipal da uma moção que recomendava “à Câmara Municipal que proceda a todas as diligências necessárias, no sentido da preservação da Ponte do Corge e da sua classificação como imóvel de interesse municipal“.
Este documento foi aprovado por unanimidade.
Em movembro do ano passado foi publicado na comunicação social que Vitor Pereira tinha garantido que a ponte não seria destruída.
Neste período, a Câmara da , nas palavras do Bloco, “deveria ter encetado todos os esforços para a classificação patrimonial do imóvel, junto da Direção-Geral do Património Cultural, visando a sua preservação”, sendo a responsabilidade do Município a abertura do processo de classificação, “pelo que a destruição da ponte revela incúria, face a essa ameaça e desinteresse para a sua efetiva manutenção e valorização no contexto histórico e paisagístico locais”.
Os Bloquistas sublinham que “a grande irresponsabilidade da REFER é acompanhada da irresponsabilidade compactuante e silenciosa do Município, sem que este intervenha, por todos os meios, para parar a demolição”.
E rematam que “esta infraestrutura, se não tivesse condições estruturais para suportar a modernização da via, deveria ser preservada, e considerando os avanços técnicos, no âmbito da engenharia, não deveria ser difícil encontrar-se uma solução alternativa.
Poderia ter sido potenciada para outros fins, como por exemplo para uma ponte pedonal.
Poderia ser valorizado o seu enquadramento arquitetónico na paisagem.
Poderia tornar-se uma referência histórica do legado das primeiras ferrovias portuguesas.
Poderia, mas está em vias de não mais existir”.
