Novo dono quer criar em Alcains, com o apoio da Câmara de Castelo Branco, um centro de desenvolvimento 3D, para fixar pessoas, nomeadamente alunos do Politécnico
Investimento de 1,5 milhões, renovação de equipamentos, fábrica a trabalhar até julho, acordos com Hugo Boss e três outras grandes marcas
José Manuel Vilas Boas Ferreira, dono da Valérius e agora também da multinacional de Alcains, aceita todos os funcionários que quiserem ficar. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o empresário refere que “a fábrica estaria a produzir 180 a 200 fatos por dia”.
“Queremos duplicar a produção, ninguém estará a mais”, garante o proprietário do grupo têxtil de Barcelos que respondeu ao pedido do governo para salvar a .
Acerca da razão que o levou a investir na , o comendador da Ordem de Mérito Industrial destaca o conhecimento acumulado numa empresa com mais de 50 anos em atividade: “Não podia continuar ligadas às máquinas, tem que renascer e não pode continuar no mesmo processo do passado”.
A Valérius pagou 275 mil euros pelos ativos da , mas José Manuel Ferreira diz que não sabe se comprou bem ou mal. “Achei que era um valor ajustado para o que tínhamos em vista. O que importa não é o valor que demos, é o valor que podemos aportar”, frisa.
A intenção é focar a produção da exclusivamente no segmento masculino, num posicionamento premium, com uma produção diária de 400 fatos. Fica com 210 ex-funcionárias da empresa, mas pretende reforçar a equipa e chegar às 240 pessoas.
Entretanto, já estabeleceu contactos internacionais com entidades que poderão ajudar a nesta sua segunda vida. São quatro as grandes marcas internacionais que mostram interesse em comprar fatos à empresa de Alcains, duas italianas e duas alemãs.
O primeiro passo é “ganhar a confiança do mercado”, o que também passa por conseguir que “os trabalhadores se sintam parte integrante deste projeto”: “Precisamos de modistas, pessoas que fazem peças de valor acrescentado. Muitas vezes não se dá o devido valor, mas a costura é uma arte”.
Foco no private label
A intenção é manter a empresa com o nome , mas sem grande foco na marca, e procurar um parceiro nacional que queira fazer a sua distribuição em regime de franchising.
Este ano, e mesmo só com meio ano de atividade, a Valérius espera que a gere já 2,5 milhões de euros de volume de negócios. Para 2023 é esperado já que a empresa dê lucro e, em velocidade recorde, deverá atingir vendas na ordem dos sete milhões de euros.
Créditos: Paulo Jorge Magalhães / Global Imagens / Dinheiro Vivo
