"Foi o espaço de noite que mais marcou Castelo Branco, até hoje

"Foi o espaço de noite que mais marcou Castelo Branco, até hoje

“Foi o espaço de noite que mais marcou Castelo Branco, até hoje, sem a menor dúvida” – Carlos Braz, mentor do Manobras

Carlos Braz recorda a cabine de som de música pendurada no teto, as cadeiras em metal, os balcões forrados em azulejo. “Era tudo muito anos oitenta, muita pedra e ferro”, relembra.

O Manobras abriu portas a 10 de outubro de 1986 e, rapidamente, se transformou em algo mais do que um simples bar.

“Transformou-se, muito rapidamente, num centro cultural, um espaço onde se faziam concertos, espetáculos de música ao vivo, exposições de arte e teatro; era um bar, obviamente, tinha uma seleção especial, pessoas que vinham de todo o lado de Portugal para ver, para estar, sempre muito falado”.

Carlos tinha vinte e quatro anos quando fundou o Manobras, em conjunto com o seu irmão, cinco anos mais velho: “era muito novo e giro”.

Carlos recorda: “Nós, com pouco, fazíamos muito porque Castelo Branco tinha pouca oferta, na altura; tinha aparecido a primeira discoteca e tinha aberto um bar estilo pub e depois, aparecemos nós, com uma ideia completamente diferente”.

Não consegue destacar um momento em particular, porque o Manobras serviu de palco, a vários palcos: “passagens de modelo, peças de teatro, várias coisas, dizer uma em especial, não sei, foi tudo muito interessante e muito giro”.

Foi ao movimento cultural: “Manobras de Maio” que os irmãos Braz se inspiraram para dar nome ao espaço, mas não só: “a palavra significa estar sempre em movimento, em construção; tinha piada, porque era uma espécie de um anagrama manos Braz, que nós somos Braz, os dois; tudo fazia sentido “.

Durou sete a oito anos: “Depois, acabou, como todas as coisas acabam”, afirma, acrescentando: “foi o espaço de noite que mais marcou Castelo Branco, até hoje, sem a menor dúvida”.

Ironicamente, o espaço onde, outrora funcionou o Manobras, é agora uma Igreja.

No ano em que comemora quarenta anos, Carlos prepara uma espécie de “Remember”: “estamos a ver outros espaços, outras possibilidades”.

Carlos não avança o onde, mas sabe exatamente o porquê: “uma reunião de amigos, vermo-nos todos que já não nos vemos há muitos anos”.

“Eu só faço coisas em condições, bem feitas, a sério”, afirma, acrescentando que, durante a festa, será projetado um documentário da sua autoria, “com imagens da altura, com depoimentos de pessoas que trabalharam lá, que se tornaram icónicas, e de amigos do Manobras; haverá dois ou très DJ Set, um serei eu, com a música que se ouvia na altura”.

A vida de Carlos tem sido conduzida por várias manobras em torno da fotografia e da direção de fotografia de cinema, que o levaram a viver em Viena de Áustria, Berlim, Estados Unidos.

Atualmente, vive em Lisboa e só tem uma certeza: “vou dar o próximo passo”.

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