“𝗢 𝗔̂𝗻𝗴𝗲𝗹𝗼, 𝗻𝗲𝘀𝘁𝗲 𝗺𝗼𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼, 𝗷𝗮́ 𝗻𝗮̃𝗼 𝗳𝗮𝗹𝗮, 𝗻𝗲𝗺 𝗮𝗻𝗱𝗮” – Atualização do estado de saúde de Ângelo Querido, jovem natural do Fundão, diagnosticado com ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica
Foi a 𝟭𝟯 𝗱𝗲 𝗠𝗮𝗶𝗼 𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟮𝟭 que Ângelo Querido, na altura com 𝟯𝟮 𝗮𝗻𝗼𝘀, foi diagnosticado com 𝗘𝗟𝗔 – 𝗘𝘀𝗰𝗹𝗲𝗿𝗼𝘀𝗲 𝗟𝗮𝘁𝗲𝗿𝗮𝗹 𝗔𝗺𝗶𝗼𝘁𝗿𝗼́𝗳𝗶𝗰𝗮.
A 17 de Setembro do mesmo ano, viajou até à Tailândia. Na mala, a esperança num Tratamento Experimental.
A Beira Baixa TV conversou com Ana Querido, esposa de Ângelo, e faz aqui, uma atualização do estado de saúde do jovem natural de Alcaide, concelho do que, neste momento, perdeu a locomoção e fala. A esperança na cura “é a última a morrer” para este jovem casal.
BBTV – Como está o Ângelo, atualmente?
Ana Querido – “O Ângelo, neste momento, já não fala, nem anda. Desloca-se, apenas, em cadeira de rodas. Mantém, ainda, alguma força, mas pernas e pescoço. Comunica muito comigo através do olhar…basta um sinal, e sei sempre o que quer e também comunica comigo e com qualquer outra pessoa, com um dispositivo colocado no computador ou tablet que lê os olhos e aí, ele consegue fazer tudo! Quando digo tudo, é mesmo tudo, ele é que gere as suas contas, encomendas e até tabelas no Excel, ou seja, faz tudo o que qualquer outra pessoa faz no computador”.
BBTV – Desde o diagnóstico, em 2021, como tem sido a evolução da doença?
Ana Querido – “A evolução tem sido lenta. Houve uma outra altura em que foi rápida, principalmente quando perdeu a fala mas, ultimamente, a doença tem estado estável. Também toma alguns suplementos que o fazem manter a força. A alimentação saudável tem sido a maior ajuda no seu processo de estabilidade”.
BBTV – O Ângelo realizou o Tratamento Experimental na Tailândia?
Ana Querido – “Sim, ele foi à Tailândia realizar o tratamento. Não foi fácil, pois era à base de injeções, que o deixavam um pouco em baixo. Mas, a força de querer experimentar e ver se daria algum resultado, era maior que tudo. Os médicos e toda a equipa eram muito atenciosos e isso, também ajudou muito a acreditar. Infelizmente, ele não sentiu nenhuma melhora, mas também, na altura, não piorou, o que não foi mau de todo. Foi uma experiência, pois, com esta doença, ele quer agarrar todas as oportunidades que surgirem e que possam dar alguma esperança na doença”.
BBTV – Como é o vosso dia-a-dia?
Ana Querido – “Eu ainda trabalho e, para o poder fazer, contratamos uma senhora que é mais do que uma amiga para nós, é quase uma mãe que cuida do Ângelo. Ela já o conhecia desde pequeno e também tinha experiência em cuidar de pessoas com alguma condição física mais complicada. Todos os dias, ele acorda por volta das 08h30, toma o pequeno-almoço, toma banho e faz o tratamento chamado Cough Assist, que ajuda a tirar algumas secreções acumulados na garganta e nariz (como ele não consegue expulsar sozinho, esta máquina ajuda bastante a manter-se limpo). Depois almoça e, dependendo dos dias, ou fica no computador a ver séries ou a tratar ou pesquisar coisas, ou vai para a Fisioterapia, aqui no Fundão. De tarde, volta novamente a fazer o Cough Assist. Entretanto, eu chego e conversamos sobre o dia um do outro, jantamos e vamos ver televisão (ele adora ver as novelas). Antes de dormir, toma medicação para o conseguir, pois sempre teve problemas em adormecer. Com a doença e por causa da ansiedade, penso que piorou um pouco, mas já conseguimos estabilizar o sono. Dorme sempre com um ventilador para o ajudar na respiração, se algo acontecer durante a noite e para não se sentir tão cansado no dia seguinte”.
BBTV – Têm esperança no futuro?
Ana Querido – “A esperança é a última a morrer. O Ângelo passa muito tempo a pesquisar novos tratamentos ou a falar com outras pessoas com a mesma doença, partilhando assim, as suas vidas e também, possíveis tratamentos. Acreditamos sempre que possa aparecer algo que nos traga a vida plena, mas tentamos sempre viver cada dia com um sorriso no rosto e aproveitar todos os momentos um com o outro. Estas doenças trazem a forma de pensar mais no presente, tentando esquecer o que pode, ou não, acontecer no futuro. O mais importante é que ele está aqui, consciente de tudo e com a força e determinação para enfrentar o que poderá vir. E eu, estarei sempre ao seu lado para o apoiar e ajudar em tudo”.
A ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença neurológica degenerativa, progressiva e rara, sendo a forma mais frequente de Doença do Neurónio do Motor (DNM). Na ELA, os neurónios motores, que conduzem a informação do cérebro aos músculos do nosso corpo, passando pela medula espinhal, morrem precocemente.
(Informação retirada do site da Apela – Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica).
