Fundão

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Cineclube Gardunha – Setembro 2023
Aproveitando o filme verdadeiramente babilónico realizado pelo imenso cineasta brasileiro Eduardo Coutinho, em 2002, Edifício Master, no mês de setembro iremos a muitos lugares diferentes, a continentes distantes, a culturas díspares.

A dualidade entre o campo e a cidade é talvez o máximo vetor deste programa.
A infância e uma certa nostalgia do campo. A cidade e os problemas depressivos da vida adulta. Nostalgia, depressão, e outros temas associados, como o suicídio, os amores impossíveis, o romantismo sem freios, a torre de babel ou a fome, em setembro teremos uma bíblica multiplicidade de questões.

Inaugurando mais uma nova rúbrica, “Carta Branca a…”, começamos por pedir ao músico do Pesinho () um filme da sua predileção.
E a escolha foi absolutamente surpreendente. Pastoral: Morrer No Campo é um filme demencial do cineasta de culto japonês Shuji Terayama. Contado na primeira pessoa, neste filme de 1974 Terayama expõe por imagens e sons inauditos a sua infância, os seus medos e alegrias, a sua memória…

Em complemento João Clemente escolheu outra obra raríssima: Bhima Swarga: The Journey Of The Soul From Hell To Heaven (veremos a seção Inferno de uma obra maior), da cineasta e música de ascendência japonesa Ikue Mori.
E mais não revelaremos, pois trata-se de uma sessão imperdível.

E Clemente apresenta a sessão, dia 13, a única na Moagem.

E por falar em novas rúbricas, aqui fica mais uma: “Redescobertas do Cinema Português”. A 1ª entrada é com a 1ª longa-metragem de Jorge Cramez, O Capacete Dourado, estreada em 2007 e também escrita pelo próprio Cramez a partir de um guião inicial de Rui Catalão e de Carlos Mota baseado numa história real publicada no jornal O Crime. Cramez diz que o filme acabado é «obviamente o arquétipo de Romeu e Julieta, é a história clássica do “boy meets girl – let”s go all the way». Acreditamos que o filme foi mal visto à época e que merece ser revisto pois tem lá dentro momentos magníficos, como o namoro do par em campo de flores ou o fogo-de-artifício final ao som de uma canção sublime dos Echo and The Bunnymen. A sessão será na Casa Grande da freguesia da Barroca, numa matiné de domingo pelas 16 horas.

Dando continuação ao ciclo “Janela para o Mundo” em parceria com o Centro para as migrações do , desta vez exibiremos o referido Edifício Master.
É talvez o ponto cimeiro da arte terna e ultra-sensível de Eduardo Coutinho, um conversador raro, que sabia escutar e compreender o outro como poucos. As mais diferentes pessoas, do morador de favela perigosa ao actor profissional ou à criança pura, todos se abriam e ficavam desarmados pela aproximação e disponibilidade única desse cineasta-conversador sem par. Um dos monumentos cinematográficos deste milénio. No jardim das Tílias, dia 23!

E por último, a 27 e pela 1ª vez na Design Factory , a propósito do centenário do poeta Mário Cesariny de Vasconcelos e em parceria com o Festival Literário da Gardunha, uma obra-prima terrível do mestre Luis Buñuel: As Hurdes: Terra Sem Pão. Cesariny não só traduziu a poesia de Buñuel como escreveu sobre este documentário, em que «Buñuel mostra as tradições, os hábitos e, regista para sempre a miséria de uma aldeia, nos tempos em que ter pão para comer era considerado um luxo.» No final da sessão haverá uma leitura de poemas partilhada em torno do universo dos 2 autores.

Todas as sessões às 21H30, exceto 17 de setembro.

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