Esta Terra, esta Gente
António Bispo, albicastrense genuíno apaixonado pela sua terra natal
Dotado de elevados conhecimentos históricos, nomeadamente da cidade de Castelo Branco, fruto de três décadas como funcionário do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, António Veríssimo Bispo é um defensor da causa pública e da liberdade conquistada na Revolução do 25 de Abril.
“Como vem sendo tradição todos os anos neste dia, passo pelo edifício da Câmara Municipal e ‘retiro’ um cravo vermelho; este é o número 51, com todo o gosto, e, enquanto viver neste mundo, assim farei neste dia.”
A histórica Rua de São Marcos foi o berço de uma família numerosa da qual o nosso entrevistado fez parte, confessando-nos que, naqueles tempos, a vida era muito difícil — mesmo dura — para o sustento da família.
“Felizmente, porque também éramos gente de trabalho, tivemos sempre o indispensável para sobrevivermos”, realça António Bispo, não esquecendo as condições miseráveis que grassavam no país, onde uma ditadura feroz reduzia os mais pobres a lutarem de sol a sol.
“Nem quero recordar essa fase tenebrosa, bem sentida na pele daqueles que a viveram”, sublinha.
Incorporado na Marinha, prestou serviço militar em Angola como fuzileiro, regressando depois à sua terra natal.
Constituiu família, sentindo um enorme orgulho nos seus familiares. “Procurei sempre incutir aos meus os valores da cultura e da liberdade, tão difíceis de conquistar”, afirma, com alguma emoção.
Interventivo nos assuntos da vida pública, sempre que pode desloca-se às Assembleias Municipais para, como cidadão, exercer o seu direito e expressar livremente a sua opinião, normalmente aceite pelos deputados municipais.
“Gostava que mais albicastrenses assistissem às assembleias e, respeitosamente, emitissem a sua opinião, mesmo divergindo de algo que não esteja correto, pois é neste espaço da democracia que podemos falar livremente”, considera.
A concluir a nossa conversa, que teve lugar num dos jardins do Castelo, António Veríssimo Bispo deixou uma mensagem: “Nunca se esqueçam de defender os valores de Abril, a liberdade e a justiça social.”
