“Não sei muito bem que monstro toma conta de mim sempre que aparece a notícia de mais uma criança morta às mãos de pessoas que não são gente. E esse monstro agiganta-se quando se percebem os contornos de crueldade e a violência dos casos.
Jéssica. Três anos. Morta com uma crueldade desumana por uma dívida de 400€. Vou dizer o nome outra vez porque é bom que nos fique na cabeça e se junte ao de Valentina. JÉSSICA. JÉSSICA. JÉSSICA.
Mais uma criança a quem todos falhámos. Mais uma criança que passou pelos pingos de chuva. Uma criança que já tinha cinco irmãos retirados, mas que não teve a vigilância adequada.
Tudo indica que não terá sido a mãe a matar Jéssica, mas antes a mulher a quem a mãe já antes tinha devido dinheiro. A merda de mulher que, ao que parece, com a cumplicidade do marido e da filha, também ela mãe, espancou a menina durante dias a fio.
A autópsia, segundo os meios de comunicação social, revela também sinais de abuso sexual.
E isto é tudo tão mau, tão terrível e tão doentio que o monstro dentro de mim acorda e nem tenho coragem de escrever todas as coisas que penso.
A mãe é também culpada, que ninguém duvide. Primeiro porque mentiu a todos quando disse que a menina estava numa colónia de férias, depois porque a viu ferida e não levou de imediato ao hospital para que não descobrissem a história. E quando chamou ajuda já era tarde demais.
Pensar no que esta menina sofreu nos últimos cinco dias de vida mata-nos por dentro. E o monstro cresce cada vez mais.
Estas pessoas não são gente. E espero verdadeiramente que tenham uma punição exemplar.
Mas lembremo-nos que não foram só eles a falhar aqui. Fomos nós todos. Foi a sociedade.
Falhou à Jéssica tal como falhou à Valentina. Falhou como continua, todos os dias, a falhar a dezenas de crianças.
Valentina e Jessica. É bom que estes nomes nem sequer nos deixem dormir.”
” A Mãe Imperfeita” Texto publicado nas redes sociais
