Beira Baixa sai a perder nas ligações
O Partido Ecologista Os Verdes teme a “interiorização” do distrito de Santarém com a desclassificação da Linha do Norte e considera “uma medida contrária ao direito à mobilidade e em contraciclo com a urgente resposta aos desafios climáticos”.
Com a entrada em funcionamento da nova ligação de Alta Velocidade que ligará Lisboa ao norte do País, está previsto retirar todo o serviço rápido de passageiros da linha do Norte (Alfas e InterCidades), ficando só a circular na linha os comboios de mercadorias e os comboios de passageiros mais lentos (inter-Regionais, Regionais e Urbanos).
Uma decisão que leva à eliminação de mais de 10 comboios em cada sentido, deixando Lisboa mais longe e o Centro e Norte ainda mais longe, obrigando a transbordos.
Caso esta intenção se venha a concretizar, ela terá um impacto muito negativo na articulação do transporte ferroviário de passageiros do distrito de Santarém, de Portalegre e de Castelo Branco com o resto do País e vice-versa.
Os passageiros verão não só reduzida a oferta de opções de serviço e de horários, como serão confrontados com um aumento substancial do tempo útil passado numa viagem da longa distância e com uma redução brutal do conforto, nomeadamente nas deslocações para o norte do País, visto que a articulação com a nova linha Alta Velocidade só será feita perto de Coimbra.
Os Verdes não discordam da construção da nova linha, atendendo à sobrecarga horária que estrangula, há vários anos, a linha do Norte, no entanto, consideram que esta não pode ser feita à custa do agravamento do serviço de passageiros no distrito de Santarém e do agravamento da Interiorização do País.
Amanhã, dia 15 de setembro, Os Verdes realizam uma ação de contacto com os utentes do transporte ferroviário, na Estação Ferroviária de Santarém, e apelam à população para a subscrição de uma Carta Aberta a dirigir ao Ministro das Infraestruturas e da Habitação, reivindicando “a manutenção de serviços rápidos na Linha do Norte, servindo as estações de Santarém e Entroncamento, em nome da sustentabilidade ambiental e climática, da justiça social e da igualdade de oportunidades, em nome do desenvolvimento territorial equilibrado, contra o despovoamento e a desertificação”.
FOTO: Infraestruturas de Portugal
