Morreu o antigo ministro Morais Sarmento

Morreu o antigo ministro Morais Sarmento

O antigo ministro da Presidência e dirigente do PSD Nuno Morais Sarmento morreu hoje, aos 65 anos, confirmou à Lusa fonte do partido.

Nuno Morais Sarmento foi ministro da Presidência do XV Governo, chefiado por José Manuel Durão Barroso, entre 2002 e 2004, e depois ministro de Estado e da Presidência, também com a tutela dos Assuntos Parlamentares, do XVI Governo chefiado por Pedro Santana Lopes, até 2005 – dois executivos de coligação PSD/CDS-PP.

No PSD, foi vice-presidente nas direções de Durão Barroso e, mais recentemente, de Rui Rio.

Teve nos últimos anos um cancro no pâncreas que obrigou a prolongadas hospitalizações e várias cirurgias.

Paulo Sande, especialista em assuntos europeus e ex-consultor do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já tinha vindo exposto, nas redes sociais, aquilo por que passava Morais Sarmento: “Não é segredo para ninguém, e ele próprio nunca o escondeu, que combate há anos um cancro agressivo, combate feito com o estoicismo e a coragem que sempre o caracterizaram”, recorda o amigo, lembrando como, depois de ter estado 18 meses hospitalizado – cinco dos quais nos cuidados intensivos e de ter sido submetido a 12 operações com anestesia geral e três intervenções com anestésicos mais ligeiros – “ainda participou, ainda muito debilitado, em novembro de 2023, num Congresso do PSD”.

Depois disso, foi presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) entre agosto de 2024 e janeiro deste ano, quando apresentou a demissão invocando falta de condições pessoais e de saúde.

Três meses depois de assumir a presidência da FLAD, Nuno Morais Sarmento deu uma entrevista para o podcast da SIC e do Expresso, “Tenho cancro. E depois?”, onde revelou aquilo por que estava a passar.

“Saí do hospital com 38 quilos, devo ter tido menos. Quis poupar os meus filhos. De fora era um morto-vivo”. Tinha um cancro no pâncreas que ninguém conseguia diagnosticar. Uma endocrinologista não conseguiu descobrir porque oscilava entre espasmos e descontrolo motor, com muita raiva, e prostração incapacitante. Uma amiga disse-lhe par falar com o médico João Raposo, da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) e em três semanas teve um diagnóstico. Tinha sobrevivido a um cancro na próstata e estava longe de imaginar que os sintomas de que padecia estavam relacionados com novo carcinoma.

Nuno Morais Sarmento relata aos microfones do podcast das publicações do Grupo Impresa que foi várias vezes socorrido pelo INEM quando tinha espasmos e chegava a desmaiar. “Disseram-me que era um insulinoma, que é um tumor no pâncreas”. Não era um, eram três, nas pontas do pâncreas. Fez 12 cirurgias, com 16 procedimentos, entre anestésicos e de sedação mais ligeira. “Foram-me cortando às postas, primeiro foi o pâncreas, depois a vesícula e depois o baço”, relata, com surpreendente naturalidade. O doente “rebelde” – como lhe chamará por mais do que uma vez ao longo da conversa, sentado ao seu lado, o médico Jorge Paulino, o líder da equipa que o “salvou” no Hospital da Luz, em Lisboa – garante que nunca desistiu. “Se alguma vez baixei os braços? Não, isso não. Em momento nenhum da vida”, mas chegou a despedir-se dos filhos algumas vezes.

Nuno de Albuquerque de Morais Sarmento, nascido em Lisboa, em 31 de janeiro de 1961, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, em 1984, com uma pós-graduação em Direito Comunitário, pelo Centro de Estudos Europeus da Universidade Católica Portuguesa, em 1996.

Foi também assessor da Provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, membro fundador da Comissão Nacional de Proteção de Dados, membro do Conselho Superior do Ministério Público e da Autoridade de Controlo Comum de Schengen.

Texto: Lusa e FLASH
Foto: RTP

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