Paredes que contam história

Paredes que contam história

O Festival Wool encontrou, através da arte urbana, uma forma de retratar o passado da Covilhã, através de peças artísticas que se encontra, atualmente, distribuídas pela zona histórica da cidade.

“Avô, avô, és tu”, diz a criança. Os andaimes e a vista já cansada não permitiram que José Carlos Campos, o Viseu, se reconheça na parede de um edifício localizado na rua Portas do Sol.
Tinha ido buscar o neto à escola quando se deparou com mais uma intervenção do Wool, o Festival de Arte Urbana da Covilhã. Entre muitos, foi o escolhido para representar o rosto da cidade na peça pintada pelo artista urbano Samina.
Antes de ser pintado por João Samina, Viseu foi escolhido, juntamente com outras 149 pessoas, para fazer parte de um mural em homenagem aos antigos trabalhadores dos lanifícios, que reuniu várias fotos nas paredes de um edifício fabril desativado.

Viseu não poupa elogios ao Wool. “Enriquece a cidade e traz muita gente. Eu tenho reparado que as pessoas visitam todas estas figuras, pessoas que não são cá da Covilhã e vêm de propósito visitar o espaço onde elas estão”, comentou Viseu.

Mas como começou este festival?
Numas férias no sul de Espanha onde os dois irmãos, Pedro e Lara, arquitetos com paixão pela arte urbana, tiveram a ideia de organizar o Wool. Este é um projeto que se tem mantido vivo desde 2011 e utiliza as paredes da Covilhã como tela para dar vida a diversas obras de artistas nacionais e internacionais.

A ambição de tornar a cidade do Interior numa referência no panorama da arte urbana nacional levou a que os irmãos se candidatassem, em 2011, aos apoios pontuais da Direção Geral das Artes.
De entre mais de cem candidaturas, a ideia covilhanense foi escolhida, juntamente com 14 outros projeto. Nasceu assim a primeira das três edições do festival.
Pelas ruas do centro histórico da Covilhã, que acolhem o movimento de arte, estão distribuídas várias peças localizadas estrategicamente. O festival procura requalificar a zona antiga da cidade através de intervenções que valorizem o património covilhanense. Para Lara Rodrigues, a distribuição das peças permite que, à medida que se vai percorrendo as ruas, se vá “descobrindo a cidade aos poucos” e isso é, para a organizadora, o grande potencial da Covilhã.

É do consenso dos moradores e do Wool que as peças atraem turistas para a cidade e a pensar nisso a organização pretende estabelecer novas parcerias que facilitem o acesso às peças. “Estamos a trabalhar em sintonia com a Pousada da Juventude e vamos ter a possibilidade de fazer visitas guiadas a grupos. Estamos também a colaborar num roteiro de arte urbana que a Câmara Municipal está a desenvolver”, referiu Pedro Rodrigues.

O Wool concentra agora forças na angariação de apoios para promover mais uma edição do festival e continuar a pintar a história da Covilhã e do seu povo nas paredes da cidade.

*Com UrbietOrbi

FOTO: Turistas observam obra que retrata morador da zona histórica da Covilhã

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