Presidente da Quercus diz que “ainda é possível” travar a construção da barragem do Pisão no Alto Alentejo
O presidente do núcleo regional da Quercus de Portalegre, José Janela, diz que “ainda é possível” travar a construção da barragem do Pisão e assinalou “o parecer favorável condicionado” por parte da Declaração de Impacto Ambiental da barragem como facto negativo que marca 2022 no Alto Alentejo.
Segundo José Janela a construção da barragem “poderá trazer grandes problemas ambientais, pela alteração dos ecossistemas, dezenas de milhares de azinheiras e os seres vivos associados que poderão desaparecer e pela contaminação da água dos solos, com a prática da agricultura intensiva como tem acontecido em outras zonas dos distrito”.
O dirigente ambientalista disse que ainda é possível travar a obra e revelou que, “segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a parte económica está comprometida, ou seja, aquilo que se vai gastar não terá retorno”.
José Janela considera que “as barragens existentes são mais do que suficientes para abastecer as populações” e garante que a Quercus está a trabalhar, com outras associações ambientalistas, no sentido de travar esta obra, com recurso aos tribunais.
Por fim o presidente da Quercus de Portalegre reconhece que as 15 autarquias do distrito foram unânimes no parecer favorável à construção da barragem, mas adianta que a nível dos cidadãos “houve uma grande contestação a este processo”.
A Barragem do Pisão é uma aspiração histórica das populações do Alto Alentejo, com mais de meio século.
O projeto de construção da barragem, denominado de investimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos (EAHFM), prevê a submersão da pequena aldeia do Pisão, no concelho do Crato.
Depois dos vários esforços encetados, nomeadamente pelas 15 autarquias do distrito de Portalegre, a obra conseguiu financiamento, num investimento total de 171 milhões de euros, dos quais 120 milhões estão inscritos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
De acordo com o contrato de financiamento a obra arranca em 2023 e deverá estar concluída em 2025.
Fonte: Rádio Portalegre
