A paixão pelos LEGO corre no sangue da família Campos. Depois de João Vasco Campos ter sido recentemente entrevistado pela Beira Baixa TV devido à sua vasta coleção e recriação da Igreja da Misericórdia da Covilhã, é agora o filho quem começa a chamar a atenção. Miguel Bettencourt Campos tem apenas 7 anos, mas já segue, com personalidade própria, as pisadas do pai.
Miguel chegou ao Teixoso em 2020, vindo de Palmela, com apenas um ano e meio de idade. Foi nesta mudança de vida, da correria da cidade para um contexto bem mais tranquilo, que cresceu rodeado de peças coloridas, construções improvisadas e uma “cidade” que ia ganhando forma dentro de casa — a “cidade LEGO” do pai.
, recorda Miguel, explicando que este entusiasmo nasceu dentro de si quando tinha apenas um ano e meio. “Eu quando era bebé já montava LEGO para crianças de 4 ou 6 anos”, conta o próprio Miguel, com naturalidade. Hoje, aos 7 anos, constrói sets indicados para idades muito mais avançadas. “Já monto sets para 18 anos, por exemplo uma das casas do Harry Potter e o bonsai da mãe.”
Os primeiros passos mais conscientes na construção surgiram após uma visita a uma “loja ou museu da LEGO”. Foi aí que pai e filho compraram um livro com instruções para aprender a construir casas. Mas o manual rapidamente ficou para trás.
“A seguir tirei algumas ideias daqui e dali e comecei a fazer da minha cabeça a igreja, a biblioteca… foi da minha cabeça, não foi do manual”, afirma, com a segurança de quem já sabe o que quer. Miguel prefere criar livremente, inspirando-se no que o rodeia. “Não preciso de pensar muito. Olho para a nossa cidade, tiro ideias de um e de outro [edifício] e consegue-se fazer uma coisa gira.”
À semelhança do pai, Miguel também está a construir a sua própria mini-cidade. Já tem uma igreja, várias casas e até uma praia. Há três semanas começou a trabalhar num projeto mais ambicioso: uma “biblioteca grande”, com quatro pisos, que cresce pouco a pouco. Na lista de projetos futuros está ainda uma casa na árvore.
Mas, o Miguel gosta de nos recordar de como devemos olhar para ele, não como uma criança que se limita a um manual de instruções, mas a um verdadeiro criador. “Já não ligo muito aos sets da LEGO. Quero é construir prédios da minha cabeça”, afirma. O maior sonho passa por erguer um arranha-céus. Mais uma vez, a inspiração vem de casa: o pai já construiu um, mas acabou por ter de o desmontar por ser demasiado alto para caber na cidade.
Quando perguntámos ao “pequeno criador” se não tinha medo que o arranha-céus não coubesse no quarto que alberga a cidade do pai, Miguel suspirou por um instante e respondeu, rápido, com a solução que já seria de esperar, tendo em conta que vinha de uma criança que, ainda para mais, vive, pensa e constrói LEGO: “Quando a gente partir aquela parede e fizer um quarto de LEGO maior, se calhar até vai caber.”
