O dia 28 de outubro marca o arranque de mais uma edição do ‘Singular’ – ciclo de criação artística pluridisciplinar, levado a cabo pela Terceira Pessoa, apresentando sete momentos, entre teatro, instalação e performance em Castelo Branco.
A 4ª edição do ciclo de criação artística pluridisciplinar realiza-se entre 28 de outubro e 16 de dezembro, entre Castelo Branco e Alcains, apresentando uma transversalidade nas diversas manifestações artísticas ao nível estético conjugada com criadores emergentes e de valor reconhecido.
Para além disto, a Terceira Pessoa assinala mais um aniversário. Assim, a 15 de outubro arrancam os festejos dos primeiros dez anos de atividade da associação, num convívio marcado para a Fábrica da Criatividade. A juntar à festa, é inaugurado o “Arquivo da Década”.
A programação do “Singular” tem uma forte componente urbana, contemporânea e experimental e pretende afirmar-se como um projeto inovador no panorama cultural desta região, como adianta nota.
Ana Gil, Nuno Leão e Óscar Silva, diretores artísticos do festival, referem que “o objetivo deste ciclo é desenvolver um trabalho de inovação e criação artística e contribuir também para o aparecimento de novas propostas de criação contemporânea, em contextos onde a regularidade das mesmas ainda escasseia, oferecendo-se ao mesmo tempo aos criadores e aos projetos oportunidades de circulação e de trabalho em residência artística”.
O Singular arranca com Carolina Campos e Márcia Lança, que apresentam a performance “É Só Um Dia” no espaço cultural Mãos de Horta, em Castelo Branco, no dia 28 de outubro, , em que, durante oito horas, as artistas ficcionalizam o presente a partir da escuta do lugar onde se encontram, agarram fragmentos de mundos para os deslocar no tempo e resignificá-los. A dramaturgia é construída a cada apresentação e ao final, o público leva consigo uma publicação feita ao vivo que contém um texto diferente a cada vez.
No dia 4 de novembro, na Fábrica da Criatividade, o artista plástico Pedro Pires inaugura a sua obra Newtons, uma peça escultórica composta por um crânio pixelizado, revestido por cubos de plástico reciclados manualmente a partir de plástico inútil. Esta obra pretende estabelecer um diálogo entre o crânio humano (símbolo da efemeridade e impermanência do ser humano) e o plástico (símbolo do antropoceno e da preocupação que o ser humano tem com o seu impacto no planeta).
Na semana seguinte, a 11 de novembro na Fábrica da Criatividade em Castelo Branco, é apresentada a performance Museu do Falso – Unboxing, do coletivo Memória Comum, uma performance onde se apresenta, sob a forma de visita guiada, o“desempacotar” de parte do país e da sua história.
No Centro Cultural de Alcains, é apresentado no dia 28 de novembro o espetáculo eRrAdO da Plataforma285, um elogio ao erro, à tentativa e ao espaço para experimentar sem ter que acertar ou ter respostas concretas.
A dança também fazer parte deste festival pluridisciplinar e é trazida por Bernardo Chatillon que no dia 2 de dezembro às 21h30 apresenta no Mãos de Horta o espetáculo O que já cá está, que pretende imaginar novos mundos, colocando a hipótese de nos relacionarmos com os espaços que estão obstruídos, camuflados, ilegíveis, ignorados, invisíveis.
A artista Rafaela Jacinto apresenta no dia 9 dezembro, no Cine-Teatro Avenida de Castelo Branco, a sua mais recente criação, a conferência-performance Charlotte Forever sobre a vida da atriz e cantora Charlotte Gainsbourg e sobre como ela influenciou a vida da artista.
Para terminar este ciclo, a dupla Rodrigo Pereira e Rui dias Monteiro da associação Pó de Vir a Ser apresenta na Fábrica da Criatividade, Atalho Direto. Rodrigo Pedreira e Rui Dias Monteiro foram convidados a investigar o cruzamento das suas práticas artísticas com a escultura em pedra. A esse conjunto de experiências deu-se o nome de Atalho Direto, numa referência cruzada a uma prática do trabalho do escultor que implica uma relação direta com a matéria – o talhe direto -, e uma noção de atalho, enquanto saída de emergência para outros modos de fazer e dizer. O resultado destes processos que inauguram uma prática distinta, convidam à articulação das pedras, dos gestos, da escuta e da poesia.
A proposta de programação do ‘Singular’ apresenta uma transversalidade nas diversas manifestações artísticas ao nível estético conjugada com criadores emergentes e de valor reconhecido.
