Vitória Martins, aluna do 8.º ano do Agrupamento de Escolas Nuno Álvares, em Castelo Branco, foi uma das vencedoras da 6.ª edição do concurso “Escrever é Viver”, promovido pelo Instituto Multimédia, cujo tema era “Cidadania”. O seu texto, intitulado “O Jogo dos Cidadãos”, compara a cidadania a um jogo de xadrez.
O primeiro prémio foi atribuído ex aequo, sendo partilhado com Carolina Barbosa, do Agrupamento de Escolas André Soares, em Braga, autora do texto “O Lugar Vazio”sobre não deixar de olhar para o próximo na pressa do quotidiano.
Ao todo, o concurso contou com quase 400 participantes.
Texto da autoria de Vitória Martins – “O Jogo dos Cidadãos”:
“Sempre observei a Cidadania como um tabuleiro de xadrez. Não só pelo facto de saber jogar e de mexer simples peças, mas por associar as mesmas à sociedade da atualidade.
O xadrez é um jogo de estratégia: uma simples jogada pode arruinar tudo. Prever jogadas é essencial, e um olhar atento é muitíssimo apreciado.
Para mim, os peões são o povo, aqueles que trabalham e trabalham. Representam a maioria e são sempre os que dão o primeiro passo, mesmo sabendo da sua vulnerabilidade perante as outras peças. Sem eles, os poderosos não podiam jogar. Os peões têm uma passada lenta, mas consistente. No entanto, tem que se ter muita cautela com eles: agarram todas as oportunidades, e nunca lhes escapa nada (só se os tramarem…). Ah, e quando chegam ao fim do tabuleiro, ganham a vida, com a possibilidade de se transformarem nas peças que tanto admiravam no início.
Finalmente, conseguiram: ganharam voz, reconhecimento e poder!
Os cavalos, somos nós, os jovens ousados que nada temem (e que adoram desafiar o sistema). São das peças mais difíceis de controlar, e têm uma particularidade: são as únicas que saltam por cima das outras, independentemente do seu poder. Ultrapassam todos os obstáculos, e se necessário, mudam o rumo do jogo quando ninguém espera, em prol dos seus direitos e liberdade.
Os bispos, são as mulheres. Seguem o seu próprio caminho, sem ter um certo ou um errado. A sua passada é diagonal, e o seu poder essencial para o jogo. Muitas vezes, são elas quem encurralam tudo e todos, com um espírito de sacrifício incrível! Proteger os seus é a sua prioridade, sendo capaz de lutar sem sequer ter armas e de falar sem ter voz.
As torres representam as leis e normas que exigem muito respeito! Movem-se apenas por linhas rígidas e passam uma imagem de firmeza e rigor. Mas quando caem, tornam todo o tabuleiro muito mais vulnerável, e muito desorientado, pois agora… Que leis vão seguir? Por onde se vão guiar?
Já a rainha (peça feminina única e poderosa) representa o poder político, carregando às costas todos os órgãos. Ela é “a dona do jogo”: move-se para onde quiser. Mas mesmo sendo a mais poderosa, tem que ter cuidado, porque se age sem apoio, cai rapidamente, e se apenas se importar consigo, pode-se ver encurralada por todos os outros!
Finalmente, o rei… A peça principal. Se cai, acaba-se o jogo. É um trono em que nem todos se conseguem sentar, ou por ser muito alto, ou muito poderoso. Este representa o Estado, que precisa da ajuda de todos os outros para sobreviver.
Ah, e o tempo, aquele que consegue enganar todos! No jogo, ninguém gosta dele, mas, se pararmos para pensar, foi com ele que surgiu a palavra Cidadania, foi com ele que Portugal se tornou livre, foi com ele que escrevi este texto e serás tu a ganhar o jogo, se lhe deres atenção.”
Fonte: JN
Foto: DR
