VMER da Guarda esteve inoperacional ontem e na tarde de hoje

VMER da Guarda esteve inoperacional ontem e na tarde de hoje

Viatura do Hospital da Covilhã regista 30% de inoperacionalidade este mês

A taxa de inoperacionalidade das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) aumentou em comparação com 2021 e os médicos alertam para uma situação que coloca em risco o socorro pré-hospitalar, com maior incidência no interior do país. A VMER da Guarda esteve parada ontem durante o dia e vai voltar a ficar parada na quarta-feira à tarde, entre 14h e as 20h.
O Hospital Pêro da Covilhã, integrado no Centro Hospitalar da Cova da Beira, já esteve parado em junho e continua sem os turnos assegurados em pleno.

Com o foco na saúde centrado nos serviços de obstetrícia, Carlos Cortes, presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos, que já tinha alertado este ano para a elevada taxa de inoperacionalidade das VMER no interior do país, garante que há problemas tão ou mais graves a acontecer e este é um deles, indicando que 30% dos turnos da VMER da Covilhã têm estado inoperacionais. “É preocupante porque estamos a falar de áreas onde as pessoas vivem muito dispersas, com vias de comunicação mais difíceis para chegar às diferentes povoações. É uma zona muito sensível onde isto nunca devia acontecer e devia haver uma organização regional para acautelar estas situações e para nunca haver por exemplo turnos inoperacionais em simultâneo na Guarda e na Covilhã, e isso não é feito. Esta situação não é de hoje, não é do mês de junho, é conhecida do Governo, recorrente todos os meses e está a acontecer cada vez mais”.
Na maioria das vezes o problema apontado pelos hospitais foi falta de tripulação.

Mas se estes são os números nacionais, camuflam as zonas onde mais turnos ficam por preencher. Vítor Almeida, presidente do Colégio da Competência de Emergência Médica, diz ao i que, além do interior do país, também em Gaia a VMER está com 6% de inoperacionalidade, recusando que haja um problema de falta de médicos para as escalas, mas antes uma “violação da lei por parte das administrações dos hospitais” que têm de alocar recursos a este serviço e não o fazem, sem consequências. “A cada minuto que as viaturas estão inoperacionais estão a violar a lei, porque têm de estar operacionais 24 sobre 24 e os turnos têm de ser garantidos”.

O médico defende que deve ser feito um estudo para perceber o impacto da indisponibilidade das VMERs, sublinhando que esta situação coloca em risco o socorro. “Para saber o real impacto que estas falhas e do não funcionamento de VMER basta analisar os pedidos classificados como tendo prioridade máxima pelo sistema de triagem do INEM em que seria obrigatório a ativação de uma equipa médica de suporte avançado de vida. O que se deve fazer é contabilizar quantos pedidos não obtiveram resposta de viatura médica em tempo útil. Este estudo devia ser feito para todos os meios do INEM e publicamente divulgado. Só esses dados nos poderão dar uma imagem do real impacto desta falha do sistema”.

“Há problemas mais graves que obstetrícia” Para Carlos Cortes, existe uma problema de recursos humanos, mas também de organização e falta de ação. “Já alertámos este ano o Ministério para estas VMER e nada foi feito, mesmo que fosse para ajudar estes hospitais a cumprir a lei. Sabem que há dificuldades, por isso espero que agora não façam uma comissão de acompanhamento para as VMER, porque o ministério devia ter estruturas a fazer permanentemente este acompanhamento e monitorização, como já devia fazer para a obstetrícia”.

“Não é uma questão nova e é quase revoltante até para os habitantes da região saberem que sistematicamente isto acontece. Fala-se muito em interioridade, mas concretamente na resposta em saúde não se faz absolutamente nada”.

Fonte: Inevitável

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