A criminalidade aumentou no concelho de Castelo Branco no primeiro semestre de 2026, face ao período homólogo do ano passado. Na área de intervenção da PSP, registou-se uma subida de 4,8%, enquanto na zona da GNR o aumento foi de 20,1%.
Os dados revelam ainda um aumento da violência doméstica e dos casos de apoio a vítimas, bem como da sinistralidade rodoviária na área da PSP.
Na área da PSP, os crimes contra o património representaram 54% da criminalidade registada. A criminalidade violenta aumentou duas ocorrências face ao período homólogo, enquanto o Programa Escola Segura registou uma diminuição das ocorrências “criminais” e “não criminais”. A PSP registou um aumento de 15% dos acidentes rodoviários, sendo que as colisões foram a tipologia de acidente mais frequente, tendo os atropelamentos registado também um aumento significativo. o total de vítimas sofreu um aumento de 13%.
Na área de intervenção da GNR, o aumento da criminalidade foi transversal a quase todos os meses do semestre. Os incêndios e fogos postos florestais, concentrados entre março e junho, justificaram cerca de metade do agravamento. A GNR registou ainda aumentos nos crimes de condução sob o efeito do álcool, condução sem habilitação legal e crimes contra a caça e a pesca. Entre os crimes contra as pessoas, aumentaram as ameaças e coações e a violência doméstica, enquanto as ofensas à integridade física diminuíram.
A criminalidade registou também uma deslocação para o espaço rural, sendo Castelo Branco, Alcains e Lardosa as três freguesias com mais crimes. Os crimes contra o património mantiveram-se globalmente estáveis, embora as autoridades mantenham a atenção aos furtos em residências e de metais não preciosos.
Os Bombeiros Voluntários de Castelo Branco destacaram um aumento de ocorrências relacionadas com a queda de árvores, desabamentos de estruturas, queda de elementos de construção, inundações provocadas por precipitação intensa e danos na rede elétrica, associados à tempestade Kristin. Foram ainda assinalados aumentos nos atropelamentos rodoviários e nos incêndios em equipamentos.
Também a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica registou um aumento de casos face ao primeiro semestre de 2025, na sua maioria novas situações. Cresceu igualmente o número de crianças envolvidas nestes casos. Na Casa Abrigo, o número de alojamentos foi mais reduzido devido a limitações logísticas e de disponibilidade.
Os dados foram apresentados na reunião do Conselho Municipal de Segurança, realizada a 15 de outubro, com representantes da GNR, da PSP, dos Bombeiros Voluntários de Castelo Branco e da Associação de Desenvolvimento Amato Lusitano, que integra a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica no município.
Face aos números apresentados, os participantes defenderam o reforço da sensibilização para a segurança rodoviária, a violência no namoro e a violência doméstica, bem como a proteção de pessoas e bens. Foram ainda apontadas medidas como o reforço do patrulhamento, uma maior articulação entre entidades e o condicionamento ou restrição de queimas, queimadas e trabalhos com máquinas agrícolas e florestais.
